Sei que preciso ficar bem. Não sei se é o antidepressivo, mas melhorei. O médico até diminuiu a dose do remédio pra esquizofrenia. Embora eu sinta que ele nao acredite em uma palavra que eu digo. Sinto, preciso melhorar. E tenho buscado forças nessa frase, para passar por cima do que tenta me por para baixo. Preciso renascer e recomeçar o ciclo. Outra vez e outra vez.
Tenho amor. Tenho alguém para amar e isso me deixa feliz. Na verdade, tão feliz que tenho medo. Não sei, gente como eu sempre acaba fodida no fim da história. O fim está longe? Eu espero que o fim nunca chegue. Muito me incomoda que o médico não acredite em mim. Porque começo a não acreditar também. E como Marilyn Monroe, lhe digo: Às vezes sinto que sou uma farça, uma falsa. É o que tenho sentido. A minha percepção da vida pode ter sido alterada, a minha visão, meu tato. Sinto que não sou. Mas e se isso for uma falsa impressão?
É difícil continuar com o mesmo sorriso sempre. Às vezes descanso, sento-me numa cadeira, e ponho a chorar o resto do dia. Depois eu volto a sorrir. E do fundo do coração, acredito que está tudo bem. Se eu crer com força, posso fazer se tornar real. Não é esse o intuito dos milagres? Eu amo. E sou amada. A felicidade que não se esgota.
Hoje é o último capítulo da novela Salve Jorge. Aproveitei que todo mundo está enchendo a timeline do facebook sobre esse assunto e dei um tempo de lá. Não tenho saco para novelas, nem facebook e essas parafernalhas modernas. Descobri que sou uma chata antiquada! Fiquei pensando em voltar a este blog e tentar repassar um pouco das minhas impressões sobre o meu estado. Sou borderline, como disse o médico e a psicóloga. Eu esqueci de dizer ao Médice que ela confirmou seu diagnóstico. Sou uma borderzinha. O vazio do rótulo me preenche. Antes, quando eu era uma instável que se auto mutilava, parecia mais fácil. Agora, eu cheguei ao fim do livro e a minha história terminou no cid f.60.3. Que porra de história! Eu termino onde os números começam. Entro nas estatísticas. Me enquadro nos sintomas. Como eu suspeitava, mas não queria acreditar. Porque ninguém quer realmente estar doente disso ou daquilo. E ter algo que não possui cura. Nós queremos o aconchego da normalidade. Uma vida suave, banal e calma.
Bom, embora eu pareça pessimista em relação a tudo, devo dizer que estou feliz - embora, relembrando, o médico não acredite em mim - Acho que brevemente terei alta do tratamento psiquiátrico. Se existir alta, mas creio que sim. É uma esperança. Largo os remédios, a terapia e volto para o bar, de onde eu nunca deveria ter saído.
Salve Jorge!