sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Never Let me Go

Hoje eu assisti um filme triste. Ele contava a história de crianças que nasceram destinadas a ser doadoras de órgãos. Sem possibilidade de escapatória do destino. Doar até que a vida fosse concluída. A morte de Ruth e Tommy doeram. Ela dissera que não queria sobreviver à terceira retirada. E como seu coração foi parando de bater logo que retiraram o órgão de seu corpo. Seus olhos abertos, pálida. Nenhum dos médicos se importou com a parada cardíaca que Ruth estava sofrendo. Never let me go tocando ao fundo, enquanto todos a abandonavam na sala de cirurgia.
Tommy olhava para Kathy. Ele suportara bem as retiradas de órgãos. Mas ninguém passava da terceira vez. Os dois se amavam. Ele deitado sobre a maca, Kathy olhando seu sorriso se desfazer logo que a anestesia fizera efeito. Devo ter chorado sem parar por alguns minutos.
Eu sou essa criatura emotiva mesmo. Pode ser estranho, mas esse filme me tocou profundamente.
O vídeo da música principal do filme. #lágrimas

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Sem paz

Tempos difíceis. A coreografia do nado, na tentativa de sincronizar agonias de afogamento. Morte espreitando em cima do telhado, velando um corpo dormente, quieto e pálido. Deixei de contar as noites em que pouco dormi. Ou que fui despertada por um assombro terrível, a ponto de pedir ajuda. Gritar, em ânsia, cansada de procurar a paz que repousa nos sonhos. Já não encontro e o alicerce que possuo tem me deixado à deriva, solta nesse mar de monstros e pesadelos sufocantes. Comparo o tempo, com a época em que os tormentos se iniciaram. Vejo que aquelas tardes e aqueles assaltos à minha pouca luz eram meros gracejos. Nada teria acontecido se eu tivesse permanecido acordada. Eles não me enxergariam e eu teria menos peso para carregar hoje. Quando você não dorme, sua cabeça cria armadilhas. E você sempre cai nessas armadilhas. O outro é sempre errado. O dia é negro e não há felicidade. Que tempos difíceis! Qualquer toque é forte o suficiente para destruir. E a voz que vem de fora dilacera sem piedade. Logo o sol vai embora e o terror volta a todo o vapor. Ninguém para salvá-lo. Ninguém, além de você e o medo. E os espíritos. Mãos formigando, o travesseiro virou pedra. O cansaço nos olhos e aquelas vozes na sua cabeça que não deixam você adormecer. E ai de mim se não os escuto! Ai de mim se me nego a acender as luzes. Procuro atrás dos móveis, no banheiro, atrás das cortinas. O medo tingindo a brancura dos olhos, transformando em vermelho a sua vontade de não mais ver. Ou sentir. Ou temer. Eles se aproximam tanto que posso sentir suas respirações. O toque. A maldade. Rezo com todo o fervor que possuo e confio a Deus a luminosidade que não tenho comigo. Estou apavorada demais para correr. Apavorada para conseguir dormir. E se durmo, adentram meus sonhos, e tudo é um pesadelo. E tudo é terror. Volto a rezar, agora com lágrimas. O ar está frio e nada se move, a não ser meus pensamentos. As vozes. Eles.
Não tenho dormido. Estou me perdendo. Sinto muito medo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Perder

eu vejo em você o futuro da literatura. você vai ser a voz, a alma. eu me lembro do banzeiro, mas aquelas palavras estão perdidas. sim! isso me emocionou, pensar que eu seria algo, me deixava com lágrimas nos olhos. vejam, seus filhos da puta... eu serei algo, algo que vocês não serão. mestrados em empregos fúteis, eu serei a voz! agora eu me encontro aparte. e nesse caminho que percorri, perdi a coisa mais preciosa que eu tinha e podia ser: eu mesma.
como escrever sua infelicidade, sem deixar de lado a beleza? é só o que eu penso, dentro da minha depressão, que deve haver uma beleza que não consigo achar. e percorrer esse caminho, em busca dessa joia, é tão mortífero, quanto fingir que não sigo essa heresia. como posso mentir para mim? em um delírio alto e cheio de vigor, tudo não passa de uma transcendência da alma. ou então, estou enfeitando, outra vez, o cadáver que você já deve conhecer.
tenho um amigo que diz,  vamos tirar fotos e postar no facebook, pras pessoas verem nossa felicidade. aquele sorriso morno, até engana, mas os observadores de olhos, quem enxerga as coisas na forma que as pessoas olham... eu sei que é possível ver que estou tentando fingir. tentar, sim! com todas as forças. com todas as lágrimas presas entre as costelas. eu estou feliz nas fotos, mas também não estou sóbria.
eu me sinto envergonhada de pedir para que as pessoas fiquem. no fim, eu realmente acredito que eu não mereço estar perto de ninguém. perder é, agora, o mais aceitável. vou aceitar perder meu namorado. aceitar perder meus amigos. aceitar perder-me. se fico no escuro, a minha esperança é ter encontrado o que eu acreditava ser a parte bela. e a voz da minha consciência confessando, depois de toda a dor nessa busca, que a parte bela da história, e o meu real futuro, é, senão, a morte.
a joia dos depressivos e dos cansados.


 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Para Jack, meu grande amigo

mudo a minha situação atual de emprego na conta do facebook. contristada, quase seis meses de exploração, decepções e quase nenhum rendimento. se eu não tivesse falado tanta coisa sem pensar, se eu não tivesse fugido da loja, dizendo que não voltaria mais. é como se eu tivesse aberto um buraco profundo, que eu não consigo fechar novamente. essa dor... seria menos doloroso, pensei. me enchi de coragem para tomar responsabilidade por uma nova vida. pequena, peluda e carinhosa... Jack. meu cãozinho fiel e alegre. odiava vê-lo pular na cama, ou tentar, porque era pequeno demais para conseguir. seu rostinho feliz, a cama macia - Sem choro, ein?! mas foi tudo tão rápido...e aquele buraco da quebra de rotina se tornou muito mais pesado e infeccionado. Jack adoeceu, de uma hora para outra, estava tão ruim. meu coração envolto naquele ser, nem sei porque, já o amava tanto. me sentia menos sozinha, e juro... jurooo!! aquele olhar me confortava tanto! Deus, eu vi lágrimas naqueles olhos de cachorro. ele havia me escolhido, eu me sentia honrada. honrada em gastar todo o resto do meu dinheiro com remédios que não conseguiram salvar sua vida. tentei amenizar o seu sofrimento, mas havia tão pouco que eu podia fazer... e as minhas tentativas em não deixá-lo sofrer, o afetavam mais... então eu pedi que Deus o leva-se. porque eu, mais do que qualquer pessoa no mundo, entendia o que era sofrer e não poder morrer. eu entendia que depois da morte, a vida se tornava tão menor e menos preocupante. e que não havia dor, depois que o sopro fosse retirado de nossas almas... e as lembranças boas ficavam mais fortes. e não havia mais falta de ar. e não havia mais choro. lágrimas de cachorro.
se eu tivesse ficado naquele emprego, não teria feito realmente de tudo, por você, Jack. eu sei que Deus quis isso, eu sei que o impulso de ir embora, foi algo projetado, porque você merecia que tivesse tentado por você. a minha maior dor foi não ter conseguido... mas eu entendo! queria me desculpar por não estar lá quando tudo escureceu, quando o ar faltou e quando você soube que doeria mais um pouco, antes de ir... Me desculpe por ter te deixado sozinho...
seu corpinho ainda estava quente quando cheguei... eu sei que você queria ficar mais e ver alguma coisa, alguém que te amava... por isso não fechou os olhos... por isso... me desculpe...

eu vou te amar eternamente e você foi o melhor cachorro do mundo.
O meu melhor e mais verdadeiro amigo...

Jack, amor eterno. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

sobre as minhas impressões

Não tenho agulhas, escrevendo nos braços. Não posso esquecer. Nove horas. Sim... eu estou me escondendo entre a fuligem. Me prenda num abraço onde eu não consiga respirar. Ela serve o almoço e implora gratidão. É difícil enxergar o ponto. o nó na corda, bem onde tudo ficou perdido. sem reservas e explicações, ela cobra amor onde só existe camaradagem. O monstro é tão forte e melindroso. darei meu copo decorado a ele. dormir e encontrar o sr. presidente disléxico. amém.
esse mundinho mal desenhado, preso entre as dobras dos dedos. não discursarei! guardo um último fôlego, para um último beijo. um último adormecer. amanhã eu caso, pensando, recitando o verso que eu memorizei. aceito. ele me vê mas não me enxerga. ele me tem, mas não me toca. eu sorrio, porque não quero que ele me conheça. me espreguiço sobre a janela, lembrando aquele assassino, e a tigela de sopa feita de um crânio humano, penso em escrever para ele. alguém ler. então me recordo que não há ninguem, e um lampejo estranho surge em minha mente, como um estalar de ossos. deveria me sentir incomodada, deveria me sentir desesperada, eu até poderia me sentir motivada a fazer algumas ligações. amor, olhe... do outro lado da rua tem um porco e ele rosna. ele morde... sua mão em meu ombro, um beijo na nuca e a impressão que o seu sorriso deixa no ar. Luz. aquela flor morta, guardada na gaveta do criado mudo. o reflexo do riso flutuando até escapar da janela e alcançar o céu, as nuvens. Deus. observo a ideia de ir dormir, e como eu anseio o sono! antes que eu feche os olhos e veja a familia de estrelas na escuridão e novamente pense em ir embora, encolho. as pétalas secas da nossa primeira primavera, e a ilusão de sete mulheres castas, ingênuas, e doces - nosso desejo maior. aquele incêndio de início de manhã, com a sua língua quente e as suas mãos maliciosas, o pensamento escapando, como o final do sono, eu realmente desliguei o celular, o alarme já soou? chove constantemente em nossa cidade imaginária.
- segurem os braços... não! não deixem que ela se mova, vamos levá-la para o quarto.
o teto tem as mesmas mensagens escritas do mês passado. os crianças-anjo flutuando e sorrindo - o que me faz lembrar de você, e do porco! esboço um contentamento, porque o paliativo funcionou. se souberem que sinto dor, vão sentir pena. Mr. bacon é a coisa mais sedutora que eu já vi na vida, ignore o tom safado, porque estou fora de mim. amar é profundo demais, pensei. E o pensamento pesou. não fui forte o suficiente para esperar passar. esses nervos aflorados e obscenos. a carta com os códigos redigidos à mão, tortos, mal feitos, quase apagados. nosso primeiro filho deus os passos de um astronauta, a cozinheira reclamou da cor dos olhos, mas eu nunca vi tristeza ali. e isso me assustou. me assusta, Luís. essa fuga e esse tilintar de vidros quebradas atrás da minha cabeça... Seu abraço poderia me curar novamente?
seja humana. culpe alguém, droga! martelo de volta, martelo em seguida. prossigo com a sua voz impressa na palma da minha mão. para eu ler quando a última vela se apagar e tudo que eu puder ouvir for o rosnado do nosso velho e receoso porco.


saudades. não vou ligar de novo.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Atualizações inúteis e Blá

Meus olhos ardem, novamente. Acho que é o excesso de maquiagem. Incrível como uma noite de choro pode ser disfarçado com pó compacto, lápis preto e delineador... Quanta dor engolimos ao abordar animadamente um novo cliente! O Diego me emprestou um livro - que eu julguei muito emo, por conta da capa. E cá estou eu, lendo no ônibus novamente. Espero não ser assaltada. Hoje, eu praticamente me atirei na frente do ônibus. Sabe? Eu não posso perder as viagens. Não tenho medo dos carros.
Me sinto instigada a desafiar a gerente do RH. Seria prazeroso xingá-la de incompetente - divino, quando ela desse o meu desligamento. Não assinarei advertência nenhuma. Me sinto feliz, porque ninguém pode me obrigar a nada. Tenho essa certeza comigo. Posso escapar, sempre e sempre, uma fugitiva que ninguém nunca vai aprisionar. Seja num emprego, num relacionamento, em qualquer coisa. Não, Senhora Marivone! hahahaha Eu não tenho medo de ser demitida. Sei que seria fácil conseguir coisa melhor. Sei que todos tem medo da vossa pessoa, mas eu não sou todo mundo, como diz minha mãe.
Eu gostaria de dizer - fugindo de qualquer nexo - que eu admiro Lady Gaga. Mas não posso ser hipócrita e dizer que ela é realmente autêntica. Não é! Mas isso não a torna menos talentosa. Tentei falar a ele sobre Iamamiwhoaim, mas recebi uma defensiva violenta e uma resposta de que eu tinha mal gosto. Bem, vejamos o que temos em nosso cenário musical nesse momento... Lady Gaga, achou que ninguém notaria que você está copiando a nova - nem tão nova, na realidade - faceta de Jonna Lee? Nada nunca será tão lindo do que vê-la valsando dentro do oceano. Límpido, perigoso e obscuro. Os seus trajes de farrapos e aqueles monstros gigantes, como ursos de pelúcia malvados: eu tenho um péssimo gosto, então está tudo bem. Jonna é a rainha das prostitutas. A deusa do pecado, que purifica os homens. - Penso!
Eu li os dois primeiros livros da saga Crepúsculo. Não, não me importo que achem isso uma tolice. Eu sei que é, mas antes de criticar algo, é preciso conhecer. No segundo livro, realmente eu me convenci de que não era saudável continuar com aquilo. Tanto porque os protagonistas eram bobos, tanto porquê me senti absurdamente triste quando Edward abandona Bella-idiota na floresta. Se fosse para lembrar de algo sobre o livro e a história, a única coisa que penso, foi como me sentir extremamente mal com aquilo. Desisti da leitura e categorizei-a como uma grande perda de tempo e gasto de energia. A trilha sonora do primeiro filme me agradou, mas nada além disso, até hoje.
Agora estou lendo Fallen - tem uma garota aparentemente gótica na capa, mais ou menos como uma foto, não sei. Não gosto de capas de livros tão realistas. Eu ainda admiro a simplicidade de um desenho sem grandes efeitos, pouco pintado, SIGNIFICATIVO! Amo apreciar que não há tentativa de perfeição. O imperfeito é atrativo, porque não oferece utopias. É real, imaginariamente fantasioso e me deixa divagar em muitas outras hipóteses. Tanto que a história que decidi publicar - por favor... - vai ser ilustrada sem grandes alarmes e técnicas. Só a simplicidade, de uma obra simples, com personagens simples, mas profundamente carregados de explicações, cores, significados e livres - porque todo leitor merece a liberdade de imaginar o que quiser, em tudo. Darei essa liberdade a quem quer que seja, acho digno.
Deveria me perguntar o motivo do Diego me emprestar esse livro - FALLEN - mas passando das primeiras páginas, ficou tudo bem claro. A protagonista - e tonta! - vê sombras. Tomava remédio controlado. Acabou num reformatório. Ele achou que ela se parecia comigo, palavras dele. Não sei, realmente, eu não sei o que dizer. Fico zangada? Sinto pena de mim? Não. A loucura é como uma brisa que você não prevê. Ela apenas afaga seu rosto e leva embora sua dignidade. É assim que me sinto. Sem dignidade nenhuma.
Tonta eu não sou, disso eu tenho certeza. Não sou louca. Eu não preciso de ninguém, a não ser do meu coelho, porque gosto de cuidar de algo. O que me acontece... Os meus problemas... O meu inferno... Tudo se resume a um só culpado:

Os outros.


Até mais. Trarei notícias melhores.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Não leia, ou leia. tanto faz

essa é mais uma noite daquelas. meus olhos ardem. um arde mais que o outro, porque uma colega de trabalho enfiou o dedo nele sem querer. tem sangue. foda-se. essa frase já nao me sustenta mais e não me ajuda a respirar melhor, sou amarga, sou chata. não me suporto.
sou a mais normal das criaturas, eu sou a mais humana das mulheres que eu conheço. mas fica tudo muito turvo, à medida que eu vivencio o mundo. não tenho vontade de demonstrar o meu melhor lado. posso ser engraçada, eu não consigo evitar isso, mas nao me peça compaixão ou tolerância. não me peça para esperar voce terminar de chorar, não me peça para esquecer o que me disse. a memória ruim é só um pedaço do gigantesco bolo. tudo que eu digo foi milimetricamente pensado.
meu cachorro fugiu, tento nao pensar nisso, mas estou chateada. sinto falta dos olhos, sinto falta da patinha carinhosa. do latido desesperado sempre que eu chego do trabalho e não lhe dou atençao. a ousadia de nao ter medo de nada, eu gosto disso. sinceramente, sinto mais falta dos meus animais quando fogem do que amigos. animais são mais verdadeiros. eles não falam coisas desagradaveis. e estao sempre apaixonados por mim. o cansaço - e novamente ele! porque me sinto absurdamente presa. presa, porque a maior guerra é ser voce mesmo ou dizer o que pensa. meus amigos - aquelas pessoas que eu saio ou vou visitar - não me conhecem verdadeiramente. sinto que sou uma farsa. estou animada e falo idiotices. nao suporto pensar na hipotese de que me conheçam ou vejam com os olhos bem abertos o que realmente me circunda. prefiro a escuridão, o conversar sozinha. se por acaso surge um lampejo do que seria a realidade, ele é rapidamente expelido com uma frase de que eu nao sou aquilo. um incômodo com a minha vida, por quem nunca se importou com nada relacionado a mim. ou quem sabe, esse cérebro bruto e não lapidado, achou que tudo (eu) poderia ser consertado com um corte rápido. um choque, mas nunca me causou nada além do que mais apatia e desinteresse. desinteresse em melhorar ou falar sobre isso. nao tenho vontade, D.
então vamos lá, trocar fatos. desamores, carência, erros ortográficos. sem emoção. sem absolutamente nada, nem tesão. do alto, eu vejo um robô no corpo de uma garota - ela parece jovem, mas nao é mais. uns acenos, despedidas e solidão novamente.
eu sei que esse universo existe e que essas palavras em minha mente são reais. me atormenta o medo de morrer seca. o medo de ser noite sempre e nunca amanhecer. pessoas frias são chatas e passionais - isso é verdade! não sei se sou fria ou indiferente. não me interessa pensar sobre isso, não tenho vontade.
assisto vídeos, eu gosto do Alan. ouvi-lo me faz pensar que somos amigos, adoro gente engraçada. isso é uma das coisas que ainda me encanta na vida. mas tudo se esgota. e pra mim se esgota tão rápido... sou um buraco negro que engole tudo e sempre fica com o nada. essa irritação toda me deixa em estado de pânico, porque eu deveria socar e dar chutes. choro e vejo sangue. é uma noite daquelas. a mão estendida se recolhe, a voz maternal me forçando a engolir a pilula. no início, realmente achei que era uma grande brincadeira, então veio a verdade, seguida de um desespero. pensar é insano. sentir é torturante. tomo o remédio porque nao quero pensar ou sentir. durmo. e no dia seguinte, a consciência tenta recobrar o pesadelo, mas não consigo voltar ao meu corpo. estou presa e ando lentamente de volta para a casa, sem brigas ou grandes e complexas ideias de solução para os problemas. não tenho vontade de curá-los. estou adormecida e sonolenta de insônia. um dia, mais um dia, outro dia. e não me vem um pensamento humano, ou um sentimento humano. esqueço que deveria sentir, nao tenho vontade, nao quero, nao consigo. um robô. eu ate gostaria de chorar, mas meus olhos são secos. nao consigo concentrar-me. a vida parece um livro nao escrito, mas sei que cheguei ali, de alguma forma. estou viva de alguma forma.
essas frases todas me deixam incomodada. se eu deixá-las comigo, ficam boiando na superfície e eu nao consigo enxergar o sol. estou olhando para o alto, do fundo desse oceano inóspito.
não quero que sintam pena, eu nao tenho pena de nada disso, nao quero que sintam nada e nao pensem em mim nunca. saio para o trabalho porque nao gosto de ouvir reclamações de que eu nao estou vivendo. passo o tempo lá, atuando. um dia, talvez, eu encha o estoque com cobras e vá embora. seria divertido, tanto faz. preciso de dinheiro para manter a aparência. preciso de dinheiro e trabalho pra fingir que me importo com o futuro e que tenho um objetivo na vida. nao tenho nada disso.
hoje eu simplesmente não tenho vontade de ser coisa alguma.
só me sinto magoada. não sinto nada.
vou me esconder em meus sonhos novamente.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Frases nem tão soltas assim

Me identifico com Jude. Ela é só um desenho de computador, eu sei, mas... Temos algo em comum. Não me lembro se cumprimentei o cobrador do ônibus hoje. Não - eu não cumprimentei-o. E se tirei alguma brincadeira sem graça com uma das minhas colegas de trabalho, foi nitidamente forçada. O sono em mim. Aquela vontade de dizer à Karla, Estou extremamente cansada... Voltar para casa, pegar dois ônibus. Encontrar aquela parede de cabelos curtos e ouvi-la reclamar que eu nunca levo as coisas à sério. Fellipe me obriga a tomar a frente, sempre. Eu sou a pedra que rasga seu joelho. Sou eu quem dá o golpe e fere. Suas palavras me deixam tristes. Mas não consigo me lembrar do dia em que não me senti assim na vida.
Não consigo evitar o pensamento de transar a todo o instante. Para esquecer a minha existência e sentir que tenho alguma serventia. Ele é tão morto e gelado. Uma noite tristonha de fim de mês. Um amor tão calmo e simples, que se desfaz, com um toque mais forte. Ferir alguém, ou um coração faria com que eu me sentisse melhor. Pensar que alguém sofre, assim como eu, faria com que a vida fluísse mais leve. Um divagar egoísta, sei disso.
Oferecer coisas. E benefícios. Anda, porra. Compra logo. Tomara que ela seja rápida. Espero que goste desse de primeira. Só entrou pra perguntar o preço. Que ódio. Um sorriso e uma despedida cordial. Meus pensamentos giram em minha mente. Sempre que estou à caminho de casa novamente. Aquela ideia de que alguém naquele ônibus está me observando. Estudando meu comportamento. Prestando atenção no riso que eu dou, sempre que lembro de algo engraçado. Entrando no ritmo dos meus "dedos dançantes". Sou boa em música, acho.
Sei que ela irá me cobrar coisas. Não, nenhuma pergunta sobre como foi meu dia. Se estou bem. Se tomei veneno e aquelas serão minhas últimas palavras. É difícil conversar com as pessoas, saber o que irão falar. Nenhuma delas me surpreende. No fundo, eu não tenho vontade de falar com alguém. Nem com minha mãe. Nem comigo mesma. Deixar tudo como está, parece tudo bem. Até eu tentar dormir e cair numa crise de choro. Mas ninguém percebe. Sou invisível.
Acredito nisso, até mais do que acredito na existência de Deus. A criaturinha pouco atraente e vívida. Sempre entre as pessoas, mas não sendo uma delas. Alguém que não se pode enxergar. Nem perceber. Nem sentir. Eles dizem, você tem um mal comportamento. Nenhum deles consegue ver depois da casca.
Não sou mais um ser humano. Talvez eu tenha me tornado um vegetal. Uma chata, brigona. Um monstrinho doméstico, que suja tudo. Invisível. Inodora.
Cumprimentos geram ilusões. Separar alguma coisa pra Jeane ler.

domingo, 26 de janeiro de 2014

o amor, a solidão e os monstros

ele deve saber que não há nada depois da cortina. os aplausos, tão lentos... ele pode enxergar nas entrelinhas. acho que a maioria consegue fazer isso. menos eu, porque não enxergo o óbvio. não consigo simplesmente enxergar que ele nunca me quis. nem por um segundo? nem quando perguntou se eu me importava? esse grande ferimento que sangra até hoje. estou sempre esperando a ocasião correta para escapar. mas ela nunca chega.
a minha conversa ao telefone, que idiota. às vezes eu me pego conversando animadamente, então percebo que estou realmente sozinha. se ele for embora... posso medir a profundidade do golpe? o sonho de um suicida: dormir. não por preguiça. talvez por cansaço. a vida cansa. levar na cara, cansa. esse desinteresse todo é muito cansativo. você tem um alarme no cérebro, que apita toda vez que alguém não te recebeu bem. ou zombou das palavras que você disse. esse barulho ensurdecedor, eu quero escapar do meu corpo. porque depois das cortinas em meus olhos, não há nada para ver.
aqueles cortes tinha nomes bonitos. mesmo se você odiasse, caso fosse um menino. ele teria um belo nome. eu tentaria fazê-lo feliz. Não. talvez eu o odiasse antes mesmo do seu nascimento. sempre pensei em afogar crianças. choros em minha cabeça. meus choros. não... você não se lembra. em todas as noites eu tento esquecer a lembrança. porque ela me assusta muito. ele me assusta. não há somente um vazio em minha alma. essa incapacidade... estou sozinha comigo. e isso me mata.
eu prefiro morrer jovem do que ficar sozinha na velhice. eu nunca suportei separações. eu não suportaria o seu desamor progressivo. eu não aguento quando você diz "até depois". Eu morro sempre que você não me atende.
eu amo alice cooper. não sei, ele me deixou sozinha na sala do cinema. e toda aquela gente rindo, a balada tocando e eu pensando, realmente - isso é a solidão. aquele homem me disse que eu estou bem. quem duvidaria? toda semana eu chego com uma nova preocupação e se isso afetar a minha forma de pensar? ele acha que está tudo certo. ele não sabe nada sobre mim, embora diga me amar. no fundo, eu sei que deveria pará-lo. eu deveria dizer a ele para ir embora. você está relaxada agora? vamos, vamos... eu vou ser carinhoso com você. e eu não vou deixar você cair, em nenhum daqueles pesadelos que te assombram - eu sonho ouvindo-o falar. vou segurar sua mão e te proteger dos seus medos. vou limpar a sua mente dos monstros que te atormentam.
depois, é só uma silhueta na porta do quarto. esse retrato sem graça com nós dois sorrindo. o seu amor passeia pelas palavras mas não sabe ler o que está impresso. eu sou passional até que a morte nos separe. não se pode consertar o que nasceu defeituoso.
repito as mesmas coisas, ao vento, porque tenho medo de esquecê-las. o meu mantra, as minhas confissões nas paredes. a sua tentativa de me fazer rir, mas sei que quando tudo acabar, a sua letra vai me perfurar os olhos, fazendo-os sangrar. sua piada boba. a sua calmaria que precedia os meus ataques de fúria. talvez se você me espancasse, eu finalmente encontraria a solução para os problemas que eu não consigo resolver. sempre acho que seria melhor. e isso me trás muitas recordações amargas. choro de criança em meus ouvidos.
vamos morar no primeiro andar. e criar gatos, que tal? ele me vigiaria todas as noites e sempre, a cada instante. verificaria a fechadura do quarto. porque talvez algum dia ele poderia acordar e não me achar na cama. e então me procurar pelo quarto e ao olhar a janela do nosso apartamento na cobertura, encontraria o corpo da sua amada caído na calçada. o sangue, eu sei que ele sentiria nojo do sangue. e se culparia por não ter cuidado dela. Sim, vamos morar no primeiro andar. sua esposa morta na janela.
escrevo isso numa madrugada. placebo. na verdade, escrevi muitas coisas. em minha mente. não sei por quanto tempo isso ficará quebrado. meu coração. minhas ideias. estou cansada de fugir de mim e deles. estou cansada. eu sinto o sopro na morte em meu rosto e até gosto, porque ela me diz que irei descansar. o ar gélido do puro mal, eles. ELES! dentro da minha cabeça, como um despertador apitando toda hora. em todo lugar que vou. se estou dormindo, se estou comendo. se estou me cortando, se estou sozinha. em todo o lugar. sempre que fecho os olhos, sempre que fujo. em toda a parte. em toda a gente. na porta, agora.
os monstros.