terça-feira, 23 de abril de 2013

Meu cabelo :B

O quarto do meu irmão é de um todo, abafado. Ainda rola uma brisa perto da cama, mas é fraca. Estou aqui, depois de escapar das minhas paranóias, bolando um passo diferente para os proximos dias. Sem aquela encheção de saco sobre como minha vida é uma bosta e como sofro por estar doente, hoje vou relaxar a falar que vou pintar meu cabelo. Ninguém se importa com nada que eu escrevo mesmo, então foda-se. Estou feliz. Vou retocar a raiz e depois de uma semana, vou descolorir umas mechas e pintar com anilina, um tipo de corante pra madeira. É bem mais barato que comprar tinta mesmo, tintas coloridas custam mais caro que as comuns. E como eu sou pobre, preciso economizar né? (risos).
Como já era de esperar, não tenho muita certeza sobre a cor. Acho que vai ser roxo mesmo. Até porque a tonalidade do meu cabelo não me permite muitas estripulias - é um vermelho cor de cenoura. Eu andei pesquisando na net e vi uma foto, ficaria/ficará mais ou menos desse jeito...
Charmoso?
Eu achei lindo. Meu cabelo não é tão grande assim, então não vai ficar identico. Mas tô na fé.
Só queria postar alguma coisa diferente das minhas lamentações de sempre, e como eu adoro esse papinho de mulherzinha decidi escrever isso. Nem preciso dizer que a ansiedade está a mil!!! 
É assim, vou me divertindo com banalidades.
Até a próxima.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Blusa amarela e desânimo

Estou usando uma blusa amarela que eu odeio. Sabe, nessas minhas noites de solidão, lhe contar sobre meus dias tediosos tem me feito sentir um calorzinho no peito. Mas é pequeno, não se anime. Igual a um fósforo, acende, mas logo se apaga. Sempre que as frases terminam, sempre que eu acabo.
Essa blusa realmente me incomoda. Sei que deveria dá-la a alguém, mas nao consigo me desfazer, simplesmente. É realmente bom saber que não tem um bebê no meu útero e que eu não vou precisar ir atrás daquele cara mesquinho. Me sinto quase em paz.
As coisas estão no lugar. Digo, tenho "saúde", um namorado que amo, uma família que me apoia. Mas Luís... que porra é essa que não me deixa respirar direito? Esse incômodo. Essa angústia travosa que amarga meus dias... Eu me pergunto onde erraram comigo. Onde eu deixei que meu senso de comodidade se perdesse. Sim, porque não me sinto confortável nesse corpo. Esqueço coisas. Entro em crises de euforia e depressão tão profundas... E não posso conter esse temperamento inquieto que enfeita minha essência. Ser eu tem me causado dores de cabeça.
Tomo remédios demais, porque não quero ver o dia passar. Sinto que estou caminhando, senão, apenas para a morte. Não há flores no caminho, só o asfalto quente do sol e as litras amarelas no meio da rua. Uma garota parecida comigo caminha de um lado para o outro. As pessoas não entendem, mas ele vive fugindo de um fogo cruzado. De uma guerra que se alastra sobre o território do seu frágil e corroído coração em chamas. Eu realmente não gosto dessa blusa. Eu não gosto dessas noites tristes. Eu não gosto dessa encarnação.
E falo banalidades, porque de um todo, estou mortificada. E essas banalidades reluzem, em outra dimensão, uma importância que de veras existiu algum dia. Um dia que não é hoje. Sabe, amigo, me acusam de frieza, mas você pode ver, dentro dos meus olhos, minha alma quente e pulsante. Eu aprisioso tantos golpes e gritos por medo de perder. Então termino sangrando, com uma faca na mão e um olhar vazio.
Sim, o vazio!! Você se lembra dele? Eu gostava de quando você surgia com seu casacão e ficava ao redor da cama, esperando que eu terminasse de chorar. Você não sabia o que dizer, mas não ia embora. Isso era nobre, pra alguém que nunca recebeu muita coisa. Obrigada.
Penso em ir tomar outro comprimido. Nos meus sonhos - às vezes - eu não tenho essa ferida. Estou limpa e sem cicatrizes. E a vida parece uma alucinação distante, que não pode mais dar socos no meu rosto. Dormir tem me feito durar mais tempo.
Desculpe o desânimo. O corte está doendo.
Eu estou doendo.
Abraços afetuosos. Vou jogar a blusa no lixo antes de escrever a você novamente.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pro Luís ler



Estou escrevendo ao meu amigo. Hoje foi um daqueles dias que eu não gosto, igual a noventa por cento da semana. Quinta. Ouvi dizer que lançariam as bombas ontem, então eu não teria consulta hoje. Mas não houve ataques nucleares e eu tive que ir encontrar com o psiquiatra. Luís, lhe digo que aquele homem bondoso é, se não, um outro carrasco sem escrúpulos e nocivo. Me enoja! Diga-se de passagem, nosso sentimento era denso, mas dissipou-se. Acabou.
Faço parte da escória do Cid 10. Como tudo nessa porra de mundo, me deram um número para qualificar minha loucura. 60.3 – estou dodói do coração e juízo. É triste saber que nem mesmo aquela doce psicóloga pôde gravar este número (eu). Não. Nem isso. O mestre tinha uma tatuagem nos pulsos e uma aliança – veja o quanto o amor é cruel, meu amigo Luís. Bom, foda-se.
Decepções regadas a goles de café. Foi o que me tornei. E hoje, estou assim, neste ânimo funesto e defeituoso. Parada em minha casa, redigindo este texto prolixo, chato e pedante. Para reafirmar a quem quer que seja, sou disfuncional. A verdade é que sinto falta das suas visitas, sinto falta do Fellipe. Sinto falta da coelha que roubaram.
Esse outro que tenho é carinhoso, mas tão vazio! Vejo o meu reflexo nele. Um vazio. Uma opacidade. Cheio de carinho, mas tão cheio de nada... a outra tinha espírito forte e agia por si só. Isso era bonito de ver. E eu não pensava em comê-la. Tenho passado as tardes sozinha em casa. Leio, me acabo de comer, assisto filmes. Engordei dois quilos. Não consigo parar. Eu preciso da sua mão para me amarrar os punhos ao pé da cama. Preciso refrear-me. Mas é difícil.
Sinto um medo absurdo de perder minha família. Medo de perder, qualquer coisa que eu acho ser meu. Eu sei que cairia fundo se perdesse. Acho que finalmente ficaria tudo escuro e eu não acharia o caminho de volta para casa. Sou uma borderline ansiosa – pleonasmo detectado. Sou uma alma pedinchona e meio morta. Meio murchinha. Espero que leia isso bem depois do jantar, porque causa náuseas. Das minhas mãos saem minhocas, besouros, varejeiras. Você conhece o meu talento para fulgurar escrotisses.
Se eu for condenada ao inferno, vou ser cobrada por cada palavra infame que praguejei e deixei escapulir da boca, com saliva. Deus deve ter anotado minhas frases para jogá-las na minha cara no dia do juízo final. É tenso, mas prefiro não pensar. Acredito que ele deve perdoar-me porque estou com o coração inflamado e preciso – urgentemente – colocar isso para fora. Sem maldade ou segundas intenções. Apenas porque necessito esvaziar. E ficar vazia da sensação de vazio que me preenche.
Estou cansada. Decepcionada. Sozinha. Espero que esteja aproveitando o frio. Vou dormir, embora não haja descanso nem nos sonhos. Vou procurar a fé que deixei escapar. Devo encontrá-la numa dessas páginas. Tropeçar nela meio que “sem querer”.
Abraços afetuosos, Verônica.

domingo, 7 de abril de 2013

Borderlagens



- E se isso fosse um sonho? E a realidade viesse depois da morte?
Luís estalou os dedos das mãos, olhando para o chão, pensativo.
Eu continuei.
- Um jogo maldoso entre Deus e o diabo, pra ver quem aguenta mais.
- Acho que você precisa parar de pensar essas coisas sem sentido.
- Sem sentido? Acha mesmo que não tem sentido nisso? Diga com sinceridade.
Luís se manteve quieto.
- Até você concorda – retruquei, sentando na cama, ao seu lado.
- Você funciona diferente das outras garotas. Tem ideias diferentes.
- É como diria a Effy, de skins. Eu nasci ao contrário. Eu funciono ao contrário.
- Aquela garota é muito boba.
- Somos bobas, temos isso em comum.
Luís riu.
- Elas pelo menos não tem essas teorias mirabolantes que você propõe.
- Porque eu penso.
- Isso é negatividade, Verônica.
- Ok, sou negativa. Mas não deixo de ser racional.
- E cadê as provas que validam sua teoria?
Ri.
- Olhe para mim! Eu sou a prova viva! A minha vida é um pesadelo, e eu só posso me libertar dele com a morte, por que depois dela vem o que é real.
Luís me observou por um tempo.
- Não racionalize seu desejo de morte.
Baixei a cabeça.
- Tenho lapsos de memória. As vezes não sei se estou acordada ou sonhando... a solidão é tão presente, que sinto-a tocar em meus ombros. Me arrepio.
- Alucinações, delírios?
- Minha vida. Basicamente, isso. Sou tão feliz que posso morrer. Sou tão triste que posso me matar. As coisas sempre chegam na palavra morte.
- Você se alegraria se eu dissesse que é provocante?
Fiquei olhando Luís e o seu sorriso bobo.
- Você me banaliza, mas tá bom, eu me alegrei agora.
Ele me beijou no rosto.
- Você tem cheiro de cigarro. – falei.
- Mas eu não fumo.
Claro. Ele não fumava. Eu fumava. Eu fantasiava.
- Tá certo.
- Sem pensamentos de morte por hoje, pequena provocadora?
Ri.
- Vou tomar os remédios e dormir. Sonhar a vida.
Luís se despediu. Era quase noite. Voltei para o quarto e divaguei sobre o pesadelo. Minha existência. A realidade depois que o coração para de bater.
Borderlagens.