Eu tenho um gato chorão. Agora ele está deitado no
meu pé, querendo um pouco de carinho. Ontem ele me mordeu. Estava nevando nos
meus pensamentos e eu sentia um frio danado me engolir inteira. Posso dizer que
hoje eu senti menos falta de você do que ontem. E ri quando toquei no seu nome.
O gato pensa em dormir, eu vejo suas pálpebras
felinas caindo por sobre os olhos azuis. Eu deveria pedir um pouco de sono dele
e dormir também. Esquecer que posto minha vida num blog que ninguém lê.
Sinceramente, eu não quero plateia. Nem fãs. Nem esse gato eu queria deitado no
meu pé. Gostaria de dormir um pouco, virando noites em sonhos reconfortantes. E
voltar a conversar com a Verônica. Ela aparece tão pouco. Me sinto solitária.
Acho que me tornei mais forte. Um convite pra uma
noite de bebedeira e uma resposta negativa. Devo me enxergar no final da festa,
sóbria, com as mãos cruzadas na frente do corpo, olhando para o nada e pensando
em fumar um pouco. Só pensando. Não. Eu estou bem sem cigarros. Estou bem sem
amor e com um gato dormindo no meu pé.
Esse nevoeiro me obscureceu a ideia de que preciso
de alguém para ter um motivo pra viver. Não preciso de um motivo. Nenhum motivo
é bom o bastante. As pessoas estão sempre procurando motivos. Eu quero dormir e
esquecer os motivos que me levaram onde estou. Não preciso de motivos para o
que quer que seja. Cansei de procurar razões.
Queria poder sempre rir ao tocar o seu nome e esquecer
que sinto sua falta. Queria uma pancada na cabeça pra esquecer as boas recordações
ao seu lado. Queria poder sentir sono igual a essa droga de gato e dormir pra não
pensar nos infinitos motivos.