quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Cauxi

Chorando ao som de Moonlight Sonata. Eu creio, num divagar de movimentos onde minhas ideias se tornam seres inimagináveis - posso voar? Deveria ser permitido cultivar esperança nesse recinto. E guardar nossos amigos fumantes no quarto ao lado. Depois dos meus pais brigarem. E a minha mãe chorar largada no chão.
Tomo um chá. Misturado com lágrimas e aperto no peito. Cuspindo sangue e cantando a sua canção favorita. A sua melhor amiga é uma vagabunda que não se importa se você está viva. Ainda. A fumaça tem me deixado meio distraída. Um cara que eu não consigo manter contato físico surge e me convida para dar uma volta. Deveria dizer-lhe: sua presença me assusta. É tarde e ele quer me ver perder o controle.
Um gole a mais, porquê... se você pudesse sentir, a vida está resumida a um minúsculo copo meio vazio. E toda aquela gente! Aquela gente que eu deixei entrar em minha vida. Eu sinto seus dedos deslizando sobre a minha pele. Eu só queria que você visse os meus sentimentos. Nada mais que um fervor. Uma dor que congela meus osssos. Ela vai sorrir tanto hoje - como está acostumada a fazer, tão bem. Se pudesse ver o estrago que deixou em meus pensamentos... Se ela pudesse perceber que o seu sorriso me jogava num abismo. Se ela pudesse simplesmente ver.
Tarde para ligações fúnebres. Eu sangro, ao lado de um corpo onde eu deveria estar. Eles me aprisionam e riem de mim. Garotas como você... garotinha assustadas como você... Dançando, furtiva e sedutora, com aquele que mastigou o meu coração. Sorrio e aceno, mas por dentro eu estou gritando. Ele deve saber dessas coisas... Às vezes, quando eu durmo, ele fica ao pé da cama, olhando para mim. E no meu sonho, ele surge como um demônio. Ratos roubando a comida da despensa. Gente que não gosta de órfãs. Gente que não enxerga gente. Como eu.
Abano o ar, para afugentar essas coisas. Fumando meu cigarro imaginário, com minhas amigas freiras - RISOS. Temos tentado fazer sentido há algum tempo. Estamos trabalhando. Meu irmão está certo em ir embora sempre. Sempre. Ele está certo em bater em mim. Deus ouviu e disse... tantas coisas e você não engole o choro. Qualquer coisa é melhor que esse teatro. Hoje eu conheci o amor da minha vida, mas ele não sabe disso. Feliz em guardá-lo na minha caixinha de pessoas incríveis! Divido meu chocolate com você, se você for legal comigo.
Zero. E um cara que quer transar com você. Sua mãe. Talvez seu pai - VOCÊ não. Entenda. Flores são caras e funerais são chatos. Qualquer conselho depois da crise. Qualquer coisa que te faça calar a boca. Os anjos disfarçando - Porra, lá vem ela. E um sorriso que te coloca na palma da mão. O que funcionaria? Garota, tente não pensar. Aproveite a noite dos corações partidos. A decepção de hoje e a desesperança do amanhã, como era de esperar. 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cara mau



Eu aprendi a jogar muito rápido, e venci na primeira partida. Os meus amigos acharam estranho eu ser tão bom... – pausa para uma transa. – Eu gosto da sua voz, me acalma. Você é a minha caipirinha. – hora do chá. – Eu vou tirar você dessa bagunça... você vem morar comigo. Vamos casar na igreja e ter filhos... Eu realmente quero ter um filho com você. Você quer?
Deathstars. Corpos sangrando na chuva. E sofrimento. Eu acho que você não lembra, mas bem, não sou do tipo de pessoa que esquece algo assim. Eu deixo meu cachorro preso ao sol, observando-o morrer de sede. Entorno litros de vodka enquanto choro antes de dormir. Ser uma daquelas pessoas que sofrem pela humanidade – é a minha cara. O garoto inteligente deve concordar que eu sempre estou me matando nas coisas que eu digo. E vocês são bem parecidos. Sabe? Mas ninguém falava sacanagens melhor que você.
E lá vou eu...
A minha mãe diz que eu deveria tirar você da minha cabeça. No fim – o nosso fim – eu vejo que todo mundo que eu detestava estava certo. Eu estava à beira da praia, esperando um navio fantasma. Alguém que não existia. E dormindo quando deveria estar à caça. Vestida de vermelho com um lindo sorriso no rosto. Qualquer um – eu digo – qualquer um... mas não aquele que eu desejava. Não aquele que eu amava. Isso é proibido para garotas como eu.
Se eu não estivesse doente de verdade. Se eu não fosse uma louca que dependesse de remédios para encenar momentos de lucidez. Não sei bem... eu me perco quando imagino o que faria você lutar por mim. Está certo, eu andei fazendo umas coisas bem erradas, mas... não era você que dizia entender? Idiota. Me desculpe. Eu precisava cuspir isso na sua cara. Não me desculpe.
Essa dor ridícula no peito é tão inevitável como piscar as pálpebras. Eu respiro e sinto algo preso dentro dos meus olhos. E arde. E pinga. Estou perdendo um pouco de mim enquanto penso nisso. Eu me mato, pra tentar esquecer um pouco disso. E desejo que você sofra – enxugo o choro. Desejo que você rasteje e se mate como eu fiz por você.
Mais vodka, por favor. Hoje teremos uma noite regada a recordações baratas de fundo de quintal. Um bom sedutor e uma desajuizada. Deathstars amaldiçoando a juventude. A sensação de que algo está quebrado e que nada no mundo poderá consertá-lo. Corações quebrados não tem conserto.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Freud explica



Correntes.
Gente falsa.
Incômodo.
Dor no fundo dos olhos.

Sangue na pia.
Choro de mulher.
Noite.
Dor no fundo dos olhos.

Vodka e sexo.
Insônia.
Gente falsa.
Dor no fundo dos olhos.

Remédios acumulados.
Incômodo.
Sangue na pia.
Dor no fundo dos olhos.

Suicídio.
Gente falsa.
Mulher chorando.
Final.

O cadáver sonhando alto.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O dia em que ele decidiu ir embora



Eu disse pra virar à esquerda. O motorista me ignorou, eu bem que poderia dar chute no meio da cara dele, mas daí, ele perderia a direção do carro, bateria em algum poste, e não daria certo. Ficaria com a roupa amarrotada. O que eu tenho a dizer sobre hoje? Bom, eu estou satisfeita em minha poltrona, depois de me masturbar pensando no instrutor do laboratório de informática. Você ignorou o sangue escorrendo do nariz daquela menina, com a desculpa de me dar um abraço inoportuno. Eu odeio as suas demonstrações de amor exageradas e piegas. Sou uma garota da cidade, que cultua um celular e uma folha de papel em branco, com pensamentos longos sobre os propósitos de uma vida tão vasta em desesperança. Um brinde àquele sorriso de flerte adolescente. A felicidade do mundo está presente em uma boa noite de sono. Noites, essas, em que me encontro perdida entre matar ou tortura a minha amiga de quarto – insônia. Sinto-me tão próxima de tocar algo, irreal, complexo, tão absurdamente inquietante! Não consigo organizar as ideias de uma forma coerente, então termino num hospital, falando as minhas proezas e os meus planos para dominar o mundo desses pobres mortais desconhecedores da verdade absoluta. Que está em mim. Em meu sangue. Em minhas digitais. Ando achando que a vida é bem melhor debaixo das cobertas, olhando as silhuetas bruxuleantes dos móveis, à espera daquele monstro devorador de sonhos infantis. De criança melequenta. Deixo para trás os meus anseios e as minhas verdades inquestionáveis sobre divindades gentis, e me pego aos beijos com os sórdidos possuidores da dor humana. É tão aconchegante, às vezes eu durmo e sonho que estou voando. Eu amo tanto, e de tantas formas cruéis, que chego a me perguntar se eu realmente tenho consciência de que estou me suicidando aos poucos. Longe do que faz parecer insana, eu só desejo um emprego medíocre, que possa pagar uma dose de vodka e jogar na cara daqueles filhos da puta, Eu não preciso da porra do seu dinheiro. Jogar na minha cara que eu não preciso de mim e da minha companhia. De certa forma, me livrar dessa parte que me afoga. Que me engole e devora.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Um cara e eu



- Como se chama essa música?
- Never leave.
- Não conheço.
- É Seether.
Ele me beijou depois. Eu sentada em frente ao espelho, fumando e olhando meu reflexo. Fumando e se olhando no espelho? Era divertido ver a fumaça se dispersar. Até agora você não sabe como eu realmente me senti, e acho que nem deveria saber. Seria melhor que eu continuasse sendo a mesma garota fria que te arrastou pra um motel barato e te fez comprar a bebida preferida dela. Nada demais. Depois dos gemidos – acho que era a minha velha e costumeira dor na alma, eu acho que você poderia me deixar sozinha na cama. Sem vergonha das minhas cicatrizes e sem pensar que a minha vida estaria completamente acabada depois que as nossas horas se acabassem. Seria melhor se você não exigisse amor de mim. Porque aquilo não era nada sentimental. Era tudo, menos sentimental.
Selvageria. Cigarros. Gente mal encarada. Mas daí eu estava feliz, porque de alguma forma, era pra isso que eu existia. E todo aquele universo doentio fazia sentido. Eu fazia sentido. Embora estivesse seguindo o caminho da morte, se me visse de perto, eu estava feliz em ser o cordeiro. Eu sempre estive feliz com isso, mas você não se dava conta. Essa minha forma de felicidade quase que instantânea feria o seu código de amor incondicional. Porque se eu estava presa, o certo seria que aquilo me libertasse, não era? Não era. Você não consegue entender que nada daquilo poderia realmente me salvar de mim. Nada poderia. Olhando meu reflexo no espelho, tudo que eu via, era uma garota que não era eu, mas que talvez, muito de longe, estivesse pronta para enfrentar todo o inferno possível para alcançar um tipo de realidade insistente. Aquele que vagueia nos sonhos, mas de fato não pode existir, por ser cruel demais. Assassina demais. Sofrível. O sofrimento era a única coisa que eu poderia oferecer. E as palavras vazias. Um eu te amo sussurrado. Incolor.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lambendo feridas



Não sou eu. Eu posso senti-lo se esquivar sobre mim e me engolir com seus braços. Então eu sou aquele demônio. Preso neste corpo. Preso nesta alma. Eu estou feliz, mas não é de verdade. eu sei que esse entusiasmo vai me chutar depois e rir de mim. Estou acostumada a este lugar escuro, mas se eu pudesse fazer alguém me ver... é solitário remoer as mesmas ideias. E sentimentos. As coisas passaram da validade, mas ninguém realmente se importa. Eu finjo que estou bem, mas não consigo acreditar. Estou presa. Só a morte me libertaria. Eu penso nisso. Sempre. Sempre. Mas não o faria. Eu leio isso e não acredito que cheguei a esse ponto. É frescura de quem não tem o que fazer. Tento curar um dia de cada vez, coloco na minha cabeça que estou pensando errado. Frescura. Mas dói. E me desespera. Nada bonito, por dentro de mim. Eu me abandonei de uma forma... é insuportável. Acordar. Comer. Transar. Eu amo dois fantasmas. É tão real que chega a me deixar arrepiada. Eu sei que não posso voltar aos remédios, nem aos consultórios. Não funciona. A médica não se importa em estar me drogando até a alma. E aquele cara... ah, aquele cara acha que me trancar num manicômio resolveria a minha frescura. Não posso me ferir. Não posso. Não se eu quiser arrumar um emprego. Eu imito aquele sorriso de comercial de margarina, estou bem. Eu estou bem e posso trabalhar. Tudo misturado. Um caos. Me sinto bem em cuspir demônios. Deus deverá me perdoar por ser desagradável. Só preciso de um emprego, virar escrava, cortar o meu cérebro e o meu coração fora. Simplesmente morrer. Encher a cara sempre que estiver de folga, falar sacanagem com meus “amigos” que estão pouco se fodendo se eu realmente estou bem. Sabe? Aquelas coisas idiotas que vão me matar cedo. Eu estou me suicidando aos poucos, pra não me sentir culpada. Por ser fraca. Por ser imatura. Por amar demais. Tipo isso. Frescura.
Seria bom acordar. O Alex do lado. Eu dando socos nele. Babaca. Eu o amo tanto que chega a doer. Meus olhos ardem. Porque eu realmente me sinto morta. Mas continuo respirando. E isso é triste. Triste. Sem saco para perguntas retóricas. NÃO, CARALHO, NÃO TO BEM! Mal humor. Dor. É choro preso. Petrificou-se. As escolhas do dia são: acordar, pensar, pensar. Dormir. Eu queria me desculpar com tantas pessoas! Por ter estragado as coisas com tanta intensidade. Impulsos malditos. Me sinto infantil por dizer tais coisas. Fico feliz que ninguém leia. Feliz por ser invisível. E aquele cara que dizia que eu era burra? Deus, um dia ele vai sofrer como eu sofro. Hole. Eu queria ter transado com ele no consultório psicológico. Queria ter levado uns bons tapas. Talvez eu mereça apanhar dos outros. Quando eu começar a gritar, pode me bater na cara. Cura frescura. Sua burra, você deveria parar de chorar e enxugar essa cara. Eu deito na cama com os olhos arregalados e aquela dor no peito, me encolho e sei, sei que o mundo acabou. É tão difícil entender esse tipo de coisa? Tanta gente passando fome, tanta gente fazendo coisas importantes para a humanidade, porque Deus permitiu que chegasse a esse ponto? Borderline. Bipolar? Fresca. Burra. Sádica. Adoradora de satanás e de suas obras. Eu amo cadáveres e assassinato. O senhor Jesus deve entender as frases emboladas, quantas vezes eu estivesse tão perto de ir... eu sempre estive longe e ninguém se deu conta.
É longo e doloroso. Eu leio tudo isso, todos os dias, todas as horas e chego a viver cada palavra com uma força que destruiria essas garotinhas idiotas-insuportáveis-normais do caralho. Ninguém sobreviveria a tanto. Sabe? Longe da rotina, do Faustão, da novela das oito e sono regulado, essas pessoas todas correriam desesperadas pelas ruas, as coisas sairiam dos eixos, haveria gritaria e muito medo. A normalidade seria vista como eu vejo. Distante e inalcançável. Ninguém conseguiria fingir infelicidade, as pessoas seriam realmente infelizes. E amargas. E desagradáveis. E como eu.