terça-feira, 22 de abril de 2014

Perder

eu vejo em você o futuro da literatura. você vai ser a voz, a alma. eu me lembro do banzeiro, mas aquelas palavras estão perdidas. sim! isso me emocionou, pensar que eu seria algo, me deixava com lágrimas nos olhos. vejam, seus filhos da puta... eu serei algo, algo que vocês não serão. mestrados em empregos fúteis, eu serei a voz! agora eu me encontro aparte. e nesse caminho que percorri, perdi a coisa mais preciosa que eu tinha e podia ser: eu mesma.
como escrever sua infelicidade, sem deixar de lado a beleza? é só o que eu penso, dentro da minha depressão, que deve haver uma beleza que não consigo achar. e percorrer esse caminho, em busca dessa joia, é tão mortífero, quanto fingir que não sigo essa heresia. como posso mentir para mim? em um delírio alto e cheio de vigor, tudo não passa de uma transcendência da alma. ou então, estou enfeitando, outra vez, o cadáver que você já deve conhecer.
tenho um amigo que diz,  vamos tirar fotos e postar no facebook, pras pessoas verem nossa felicidade. aquele sorriso morno, até engana, mas os observadores de olhos, quem enxerga as coisas na forma que as pessoas olham... eu sei que é possível ver que estou tentando fingir. tentar, sim! com todas as forças. com todas as lágrimas presas entre as costelas. eu estou feliz nas fotos, mas também não estou sóbria.
eu me sinto envergonhada de pedir para que as pessoas fiquem. no fim, eu realmente acredito que eu não mereço estar perto de ninguém. perder é, agora, o mais aceitável. vou aceitar perder meu namorado. aceitar perder meus amigos. aceitar perder-me. se fico no escuro, a minha esperança é ter encontrado o que eu acreditava ser a parte bela. e a voz da minha consciência confessando, depois de toda a dor nessa busca, que a parte bela da história, e o meu real futuro, é, senão, a morte.
a joia dos depressivos e dos cansados.


 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Para Jack, meu grande amigo

mudo a minha situação atual de emprego na conta do facebook. contristada, quase seis meses de exploração, decepções e quase nenhum rendimento. se eu não tivesse falado tanta coisa sem pensar, se eu não tivesse fugido da loja, dizendo que não voltaria mais. é como se eu tivesse aberto um buraco profundo, que eu não consigo fechar novamente. essa dor... seria menos doloroso, pensei. me enchi de coragem para tomar responsabilidade por uma nova vida. pequena, peluda e carinhosa... Jack. meu cãozinho fiel e alegre. odiava vê-lo pular na cama, ou tentar, porque era pequeno demais para conseguir. seu rostinho feliz, a cama macia - Sem choro, ein?! mas foi tudo tão rápido...e aquele buraco da quebra de rotina se tornou muito mais pesado e infeccionado. Jack adoeceu, de uma hora para outra, estava tão ruim. meu coração envolto naquele ser, nem sei porque, já o amava tanto. me sentia menos sozinha, e juro... jurooo!! aquele olhar me confortava tanto! Deus, eu vi lágrimas naqueles olhos de cachorro. ele havia me escolhido, eu me sentia honrada. honrada em gastar todo o resto do meu dinheiro com remédios que não conseguiram salvar sua vida. tentei amenizar o seu sofrimento, mas havia tão pouco que eu podia fazer... e as minhas tentativas em não deixá-lo sofrer, o afetavam mais... então eu pedi que Deus o leva-se. porque eu, mais do que qualquer pessoa no mundo, entendia o que era sofrer e não poder morrer. eu entendia que depois da morte, a vida se tornava tão menor e menos preocupante. e que não havia dor, depois que o sopro fosse retirado de nossas almas... e as lembranças boas ficavam mais fortes. e não havia mais falta de ar. e não havia mais choro. lágrimas de cachorro.
se eu tivesse ficado naquele emprego, não teria feito realmente de tudo, por você, Jack. eu sei que Deus quis isso, eu sei que o impulso de ir embora, foi algo projetado, porque você merecia que tivesse tentado por você. a minha maior dor foi não ter conseguido... mas eu entendo! queria me desculpar por não estar lá quando tudo escureceu, quando o ar faltou e quando você soube que doeria mais um pouco, antes de ir... Me desculpe por ter te deixado sozinho...
seu corpinho ainda estava quente quando cheguei... eu sei que você queria ficar mais e ver alguma coisa, alguém que te amava... por isso não fechou os olhos... por isso... me desculpe...

eu vou te amar eternamente e você foi o melhor cachorro do mundo.
O meu melhor e mais verdadeiro amigo...

Jack, amor eterno.