quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Frases nem tão soltas assim

Me identifico com Jude. Ela é só um desenho de computador, eu sei, mas... Temos algo em comum. Não me lembro se cumprimentei o cobrador do ônibus hoje. Não - eu não cumprimentei-o. E se tirei alguma brincadeira sem graça com uma das minhas colegas de trabalho, foi nitidamente forçada. O sono em mim. Aquela vontade de dizer à Karla, Estou extremamente cansada... Voltar para casa, pegar dois ônibus. Encontrar aquela parede de cabelos curtos e ouvi-la reclamar que eu nunca levo as coisas à sério. Fellipe me obriga a tomar a frente, sempre. Eu sou a pedra que rasga seu joelho. Sou eu quem dá o golpe e fere. Suas palavras me deixam tristes. Mas não consigo me lembrar do dia em que não me senti assim na vida.
Não consigo evitar o pensamento de transar a todo o instante. Para esquecer a minha existência e sentir que tenho alguma serventia. Ele é tão morto e gelado. Uma noite tristonha de fim de mês. Um amor tão calmo e simples, que se desfaz, com um toque mais forte. Ferir alguém, ou um coração faria com que eu me sentisse melhor. Pensar que alguém sofre, assim como eu, faria com que a vida fluísse mais leve. Um divagar egoísta, sei disso.
Oferecer coisas. E benefícios. Anda, porra. Compra logo. Tomara que ela seja rápida. Espero que goste desse de primeira. Só entrou pra perguntar o preço. Que ódio. Um sorriso e uma despedida cordial. Meus pensamentos giram em minha mente. Sempre que estou à caminho de casa novamente. Aquela ideia de que alguém naquele ônibus está me observando. Estudando meu comportamento. Prestando atenção no riso que eu dou, sempre que lembro de algo engraçado. Entrando no ritmo dos meus "dedos dançantes". Sou boa em música, acho.
Sei que ela irá me cobrar coisas. Não, nenhuma pergunta sobre como foi meu dia. Se estou bem. Se tomei veneno e aquelas serão minhas últimas palavras. É difícil conversar com as pessoas, saber o que irão falar. Nenhuma delas me surpreende. No fundo, eu não tenho vontade de falar com alguém. Nem com minha mãe. Nem comigo mesma. Deixar tudo como está, parece tudo bem. Até eu tentar dormir e cair numa crise de choro. Mas ninguém percebe. Sou invisível.
Acredito nisso, até mais do que acredito na existência de Deus. A criaturinha pouco atraente e vívida. Sempre entre as pessoas, mas não sendo uma delas. Alguém que não se pode enxergar. Nem perceber. Nem sentir. Eles dizem, você tem um mal comportamento. Nenhum deles consegue ver depois da casca.
Não sou mais um ser humano. Talvez eu tenha me tornado um vegetal. Uma chata, brigona. Um monstrinho doméstico, que suja tudo. Invisível. Inodora.
Cumprimentos geram ilusões. Separar alguma coisa pra Jeane ler.

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