Não tenho agulhas, escrevendo nos braços. Não posso esquecer. Nove horas. Sim... eu estou me escondendo entre a fuligem. Me prenda num abraço onde eu não consiga respirar. Ela serve o almoço e implora gratidão. É difícil enxergar o ponto. o nó na corda, bem onde tudo ficou perdido. sem reservas e explicações, ela cobra amor onde só existe camaradagem. O monstro é tão forte e melindroso. darei meu copo decorado a ele. dormir e encontrar o sr. presidente disléxico. amém.
esse mundinho mal desenhado, preso entre as dobras dos dedos. não discursarei! guardo um último fôlego, para um último beijo. um último adormecer. amanhã eu caso, pensando, recitando o verso que eu memorizei. aceito. ele me vê mas não me enxerga. ele me tem, mas não me toca. eu sorrio, porque não quero que ele me conheça. me espreguiço sobre a janela, lembrando aquele assassino, e a tigela de sopa feita de um crânio humano, penso em escrever para ele. alguém ler. então me recordo que não há ninguem, e um lampejo estranho surge em minha mente, como um estalar de ossos. deveria me sentir incomodada, deveria me sentir desesperada, eu até poderia me sentir motivada a fazer algumas ligações. amor, olhe... do outro lado da rua tem um porco e ele rosna. ele morde... sua mão em meu ombro, um beijo na nuca e a impressão que o seu sorriso deixa no ar. Luz. aquela flor morta, guardada na gaveta do criado mudo. o reflexo do riso flutuando até escapar da janela e alcançar o céu, as nuvens. Deus. observo a ideia de ir dormir, e como eu anseio o sono! antes que eu feche os olhos e veja a familia de estrelas na escuridão e novamente pense em ir embora, encolho. as pétalas secas da nossa primeira primavera, e a ilusão de sete mulheres castas, ingênuas, e doces - nosso desejo maior. aquele incêndio de início de manhã, com a sua língua quente e as suas mãos maliciosas, o pensamento escapando, como o final do sono, eu realmente desliguei o celular, o alarme já soou? chove constantemente em nossa cidade imaginária.
- segurem os braços... não! não deixem que ela se mova, vamos levá-la para o quarto.
o teto tem as mesmas mensagens escritas do mês passado. os crianças-anjo flutuando e sorrindo - o que me faz lembrar de você, e do porco! esboço um contentamento, porque o paliativo funcionou. se souberem que sinto dor, vão sentir pena. Mr. bacon é a coisa mais sedutora que eu já vi na vida, ignore o tom safado, porque estou fora de mim. amar é profundo demais, pensei. E o pensamento pesou. não fui forte o suficiente para esperar passar. esses nervos aflorados e obscenos. a carta com os códigos redigidos à mão, tortos, mal feitos, quase apagados. nosso primeiro filho deus os passos de um astronauta, a cozinheira reclamou da cor dos olhos, mas eu nunca vi tristeza ali. e isso me assustou. me assusta, Luís. essa fuga e esse tilintar de vidros quebradas atrás da minha cabeça... Seu abraço poderia me curar novamente?
seja humana. culpe alguém, droga! martelo de volta, martelo em seguida. prossigo com a sua voz impressa na palma da minha mão. para eu ler quando a última vela se apagar e tudo que eu puder ouvir for o rosnado do nosso velho e receoso porco.
saudades. não vou ligar de novo.
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