eu vejo em você o futuro da literatura. você vai ser a voz, a alma. eu me lembro do banzeiro, mas aquelas palavras estão perdidas. sim! isso me emocionou, pensar que eu seria algo, me deixava com lágrimas nos olhos. vejam, seus filhos da puta... eu serei algo, algo que vocês não serão. mestrados em empregos fúteis, eu serei a voz! agora eu me encontro aparte. e nesse caminho que percorri, perdi a coisa mais preciosa que eu tinha e podia ser: eu mesma.
como escrever sua infelicidade, sem deixar de lado a beleza? é só o que eu penso, dentro da minha depressão, que deve haver uma beleza que não consigo achar. e percorrer esse caminho, em busca dessa joia, é tão mortífero, quanto fingir que não sigo essa heresia. como posso mentir para mim? em um delírio alto e cheio de vigor, tudo não passa de uma transcendência da alma. ou então, estou enfeitando, outra vez, o cadáver que você já deve conhecer.
tenho um amigo que diz, vamos tirar fotos e postar no facebook, pras pessoas verem nossa felicidade. aquele sorriso morno, até engana, mas os observadores de olhos, quem enxerga as coisas na forma que as pessoas olham... eu sei que é possível ver que estou tentando fingir. tentar, sim! com todas as forças. com todas as lágrimas presas entre as costelas. eu estou feliz nas fotos, mas também não estou sóbria.
eu me sinto envergonhada de pedir para que as pessoas fiquem. no fim, eu realmente acredito que eu não mereço estar perto de ninguém. perder é, agora, o mais aceitável. vou aceitar perder meu namorado. aceitar perder meus amigos. aceitar perder-me. se fico no escuro, a minha esperança é ter encontrado o que eu acreditava ser a parte bela. e a voz da minha consciência confessando, depois de toda a dor nessa busca, que a parte bela da história, e o meu real futuro, é, senão, a morte.
a joia dos depressivos e dos cansados.
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