Não sou eu. Eu posso senti-lo se esquivar sobre
mim e me engolir com seus braços. Então eu sou aquele demônio. Preso neste
corpo. Preso nesta alma. Eu estou feliz, mas não é de verdade. eu sei que esse
entusiasmo vai me chutar depois e rir de mim. Estou acostumada a este lugar
escuro, mas se eu pudesse fazer alguém me ver... é solitário remoer as mesmas
ideias. E sentimentos. As coisas passaram da validade, mas ninguém realmente se
importa. Eu finjo que estou bem, mas não consigo acreditar. Estou presa. Só a
morte me libertaria. Eu penso nisso. Sempre. Sempre. Mas não o faria. Eu leio
isso e não acredito que cheguei a esse ponto. É frescura de quem não tem o que fazer. Tento curar um dia de cada
vez, coloco na minha cabeça que estou pensando errado. Frescura. Mas dói. E me
desespera. Nada bonito, por dentro de mim. Eu me abandonei de uma forma... é
insuportável. Acordar. Comer. Transar. Eu amo dois fantasmas. É tão real que
chega a me deixar arrepiada. Eu sei que não posso voltar aos remédios, nem aos
consultórios. Não funciona. A médica não se importa em estar me drogando até a
alma. E aquele cara... ah, aquele cara acha que me trancar num manicômio
resolveria a minha frescura. Não posso me ferir. Não posso. Não se eu quiser
arrumar um emprego. Eu imito aquele sorriso de comercial de margarina, estou bem. Eu estou bem e posso
trabalhar. Tudo misturado. Um caos. Me sinto bem em cuspir demônios. Deus
deverá me perdoar por ser desagradável. Só preciso de um emprego, virar
escrava, cortar o meu cérebro e o meu coração fora. Simplesmente morrer. Encher
a cara sempre que estiver de folga, falar sacanagem com meus “amigos” que estão
pouco se fodendo se eu realmente estou bem. Sabe? Aquelas coisas idiotas que
vão me matar cedo. Eu estou me suicidando aos poucos, pra não me sentir
culpada. Por ser fraca. Por ser imatura. Por amar demais. Tipo isso. Frescura.
Seria bom acordar. O Alex do lado. Eu dando socos
nele. Babaca. Eu o amo tanto que chega a doer. Meus olhos ardem. Porque eu
realmente me sinto morta. Mas continuo respirando. E isso é triste. Triste. Sem
saco para perguntas retóricas. NÃO,
CARALHO, NÃO TO BEM! Mal humor. Dor. É choro preso. Petrificou-se. As
escolhas do dia são: acordar, pensar, pensar. Dormir. Eu queria me desculpar
com tantas pessoas! Por ter estragado as coisas com tanta intensidade. Impulsos
malditos. Me sinto infantil por dizer tais coisas. Fico feliz que ninguém leia.
Feliz por ser invisível. E aquele cara que dizia que eu era burra? Deus, um dia
ele vai sofrer como eu sofro. Hole. Eu queria ter transado com ele no
consultório psicológico. Queria ter levado uns bons tapas. Talvez eu mereça
apanhar dos outros. Quando eu começar a gritar, pode me bater na cara. Cura
frescura. Sua burra, você deveria parar
de chorar e enxugar essa cara. Eu deito na cama com os olhos arregalados e
aquela dor no peito, me encolho e sei, sei que o mundo acabou. É tão difícil
entender esse tipo de coisa? Tanta gente passando fome, tanta gente fazendo
coisas importantes para a humanidade, porque Deus permitiu que chegasse a esse
ponto? Borderline. Bipolar? Fresca. Burra. Sádica.
Adoradora de satanás e de suas obras. Eu amo cadáveres e assassinato. O senhor Jesus
deve entender as frases emboladas, quantas vezes eu estivesse tão perto de ir...
eu sempre estive longe e ninguém se deu conta.
É longo e doloroso. Eu leio tudo isso, todos os dias,
todas as horas e chego a viver cada palavra com uma força que destruiria essas garotinhas
idiotas-insuportáveis-normais do caralho. Ninguém sobreviveria a tanto. Sabe? Longe
da rotina, do Faustão, da novela das oito e sono regulado, essas pessoas todas correriam
desesperadas pelas ruas, as coisas sairiam dos eixos, haveria gritaria e muito medo.
A normalidade seria vista como eu vejo. Distante e inalcançável. Ninguém conseguiria
fingir infelicidade, as pessoas seriam realmente infelizes. E amargas. E desagradáveis.
E como eu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário