segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O dia em que ele decidiu ir embora



Eu disse pra virar à esquerda. O motorista me ignorou, eu bem que poderia dar chute no meio da cara dele, mas daí, ele perderia a direção do carro, bateria em algum poste, e não daria certo. Ficaria com a roupa amarrotada. O que eu tenho a dizer sobre hoje? Bom, eu estou satisfeita em minha poltrona, depois de me masturbar pensando no instrutor do laboratório de informática. Você ignorou o sangue escorrendo do nariz daquela menina, com a desculpa de me dar um abraço inoportuno. Eu odeio as suas demonstrações de amor exageradas e piegas. Sou uma garota da cidade, que cultua um celular e uma folha de papel em branco, com pensamentos longos sobre os propósitos de uma vida tão vasta em desesperança. Um brinde àquele sorriso de flerte adolescente. A felicidade do mundo está presente em uma boa noite de sono. Noites, essas, em que me encontro perdida entre matar ou tortura a minha amiga de quarto – insônia. Sinto-me tão próxima de tocar algo, irreal, complexo, tão absurdamente inquietante! Não consigo organizar as ideias de uma forma coerente, então termino num hospital, falando as minhas proezas e os meus planos para dominar o mundo desses pobres mortais desconhecedores da verdade absoluta. Que está em mim. Em meu sangue. Em minhas digitais. Ando achando que a vida é bem melhor debaixo das cobertas, olhando as silhuetas bruxuleantes dos móveis, à espera daquele monstro devorador de sonhos infantis. De criança melequenta. Deixo para trás os meus anseios e as minhas verdades inquestionáveis sobre divindades gentis, e me pego aos beijos com os sórdidos possuidores da dor humana. É tão aconchegante, às vezes eu durmo e sonho que estou voando. Eu amo tanto, e de tantas formas cruéis, que chego a me perguntar se eu realmente tenho consciência de que estou me suicidando aos poucos. Longe do que faz parecer insana, eu só desejo um emprego medíocre, que possa pagar uma dose de vodka e jogar na cara daqueles filhos da puta, Eu não preciso da porra do seu dinheiro. Jogar na minha cara que eu não preciso de mim e da minha companhia. De certa forma, me livrar dessa parte que me afoga. Que me engole e devora.

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