domingo, 9 de dezembro de 2012

Um cara e eu



- Como se chama essa música?
- Never leave.
- Não conheço.
- É Seether.
Ele me beijou depois. Eu sentada em frente ao espelho, fumando e olhando meu reflexo. Fumando e se olhando no espelho? Era divertido ver a fumaça se dispersar. Até agora você não sabe como eu realmente me senti, e acho que nem deveria saber. Seria melhor que eu continuasse sendo a mesma garota fria que te arrastou pra um motel barato e te fez comprar a bebida preferida dela. Nada demais. Depois dos gemidos – acho que era a minha velha e costumeira dor na alma, eu acho que você poderia me deixar sozinha na cama. Sem vergonha das minhas cicatrizes e sem pensar que a minha vida estaria completamente acabada depois que as nossas horas se acabassem. Seria melhor se você não exigisse amor de mim. Porque aquilo não era nada sentimental. Era tudo, menos sentimental.
Selvageria. Cigarros. Gente mal encarada. Mas daí eu estava feliz, porque de alguma forma, era pra isso que eu existia. E todo aquele universo doentio fazia sentido. Eu fazia sentido. Embora estivesse seguindo o caminho da morte, se me visse de perto, eu estava feliz em ser o cordeiro. Eu sempre estive feliz com isso, mas você não se dava conta. Essa minha forma de felicidade quase que instantânea feria o seu código de amor incondicional. Porque se eu estava presa, o certo seria que aquilo me libertasse, não era? Não era. Você não consegue entender que nada daquilo poderia realmente me salvar de mim. Nada poderia. Olhando meu reflexo no espelho, tudo que eu via, era uma garota que não era eu, mas que talvez, muito de longe, estivesse pronta para enfrentar todo o inferno possível para alcançar um tipo de realidade insistente. Aquele que vagueia nos sonhos, mas de fato não pode existir, por ser cruel demais. Assassina demais. Sofrível. O sofrimento era a única coisa que eu poderia oferecer. E as palavras vazias. Um eu te amo sussurrado. Incolor.


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