Ninguém para dizer adeus. Uma sombra atrás da
porta. Tento escapar dos olhos que me perseguem. Estou bêbada de tristeza. Caio
de um precipício – uma ideia absurda que povoa minha mente. Sem asas, sem chão.
Uma queda infinita e dolorosa. Estou confusa. Nadando num emaranho de motivos
para não amar e tão poucos para finalmente me dispor a sentir algo forte por
alguém. Sou uma criatura fria e meu coração é antro desabitado. Tento uma
distração barata, compro sonhos e pessoas fúteis, mas não estou em paz comigo
mesma ao entardecer. Continuo triste, sentada numa cadeira de balanço, fumando
um cigarro. Penso que deveria ter um filho e devotar a ele todo o infinito amor
que guardo – mas logo reflito, e me dou conta de sufocaria qualquer fruto que
viesse da minha árvore. Não sou boa. Não tenho requisitos suficientes para a
felicidade. Eu só penso em escrever como me sinto e chorar. Mas não como as
pessoas normais. Eu choro sangue. Eu tenho ratos falantes e amigos que
atravessam paredes, como eu poderia ser uma boa mãe? Ninguém para dizer adeus,
só um garoto franzino que eu julgo gostar. Um bem-querer. Um sentimento
doloroso e frágil. Defeituoso. Meio morto. Digo que estou me desfazendo. Esses
braços, essas mãos, este corpo – onde eu deixei? Tenho me perdido à beira do
caminho. Tenho pensado demais, sofrido demais. As minhas pequenas mazelas
diárias. Sou pequena. minúscula.
S o l i t á r i a .
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