Estou esperando chover. Uma nuvem se distrai com
o tempo, enquanto o vento assobia uma canção de despedida. Todos conversam
entre si e é possível sentir uma aura de que algo ficou perdido nas
entrelinhas.
Carrego meu corpo para fora da estrada e caminho
sem olhar para trás. Estou quieta na minha torre, ouvindo o noticiário e
contando os mortos. Você deveria ser o meu pensamento principal, mas desde que
aceitei a verdade, tenho percebido sua ausência em mim. Tem um buraco vazio e
era lá onde você costumava estar. Não sei que brincadeira é essa, mas tenho
esquecido os sentimentos fortes que eu tinha antes.
Não sei se a minha mudança se deve às orações que
fizeram por mim, ou se foram todos aqueles remédios que eu tomei. Começa a
chover. Começo a pensar que estou entrando em equilíbrio com as forças
cósmicas. Sou um espectro que vigia pequenos acontecimentos. Estou dentro da
normalidade. Estou agindo como esperam que eu aja.
Beach
House, me faz lembrar o
hospital psiquiátrico. A fila. O cara que dizia ser o presidente do Brasil e
aquela mulher que falava dos cachorros do lado de fora. Aquela atmosfera ficou
entranhada em mim. Eu deveria me envergonhar de confessar a verdade, mas eu já
estava perdida demais para fingir não entender. Era madrugada ainda. Pessoas
dormindo. Eu com tosse. Tão mal. E você comigo, inoculado nas veias – essa foi
a minha maior doença. Eu to fodida.
Meninas, tenha modos. Como pode existir educação quando algo em você está
ardendo de tanta dor?
A chuva se acalmou. Nós voltamos para casa depois de
dormirmos abraçados no tapete. Ouvimos a velha história sobre amor e
descansamos a consciência – estamos salvos. Daí tomamos a pílula no horário e
simpatizamos com o resto do mundo. Façam tudo, mas não esqueçam de tomar a
pílula. É ela quem faz a chuva parar o céu ficar azul. Ela te salvou dos demônios,
lavou sua alma para o sono dos justos.
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