segunda-feira, 25 de março de 2013

Eu e o corpo



Espero minha vez para ser atendida. Sozinha, na sala da minha mente. E este corpo vazio ao meu lado, olhando para mim como se esperasse eu dizer olá. Minhas mãos suam e tremem, está ficando cada vez mais frio e as paredes parecem querer nos engolir. Eu e o corpo.
Estes braços apertados, punhos feridos. Eu voo, em meu céu colorido de pílulas. E vertigens. E imagens de pessoas que eu amei. Um homem que me toma nos braços e gira comigo, como se dançássemos a nossa última valsa. Sinto que irei perdê-lo. Num desses ventos frios que roubam as coisas da gente. Ele irá embora.
Guardo as palavras em caixinhas de sapato. Me deixo embalar naquela canção inexistente que me faz ficar trêmula. Jéssica. Esquecem que eu me chamo indefinição. A alma encolhida no corpo, e todo esse espaço vazio... quando eu viro uma abstração e sinto o não sentir de existir. Sou o nada. E o nada é angustiante.
Parece que estou num sonho. Às vezes não tenho certeza se estou desperta. Paro e me pergunto: isto é a realidade? Olho os objetos, o céu. Nada mudou. Estou acordada. Esta é minha casa, esta é minha vida. Eu dizia àquele garoto, não conte a minha mãe que eu não estou no meu corpo. Sabe, eu podia ver o medo em seus olhos. Mas ele não entendia. Eu não entendia. Nós não entendíamos porra nenhuma.
Tinha vontade de sair gritando na rua. Pedindo socorro. Alguém, pelo amor de Deus, me ajude a voltar ao meu corpo! Me ajude a curar essa angústia que morde a minha alma... pelo amor de Deus, faça isso parar! Mas não gritava. Ficava quieta. Na cama, com a faca em punho. Fatiando-me. Doía saber que aquilo de fato não resolvia nada, mas era muito mais doloroso suportar a dor de não poder explodir.
Eu amo um homem. Ele irá embora? Tomo chá, leio meus textos, corrijo os erros de português nas conversas com meus amigos, dou carinho ao cachorro. Tomo os remédios. E tento não pensar em pensar. Tento não gritar, por medo de me encontrar sozinha. Sem o chão. Suspiro, desinteressada, mas por dentro, estou em chamas. Queimando. Morrendo.
O amarei. E serei dele. O meu coração sangrando em suas mãos, espero que você não leia isso, cabeludo. Me envergonho. E você saberá que eu me apaixonei e que quero você. E isso, não sei de que forma, vai soar grotesco, ocasionando o seu desinteresse. Não leia isso. E se ler, tome uma pílula de esquecimento e seja meu. Sem amarras. Sem promessas. Sem pressão. Apenas porque é divertido estarmos juntos.
E me desculpe. Não sei. Só desculpe.


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