quarta-feira, 13 de março de 2013

Uma tarde entediante e o cara que morreu na praia



Estou frustrada por ter sido deixada no ponto de ônibus. Frustrada por aquele beijo no rosto. Você fez eu me sentir uma garotinha, logo eu! Eu voltei decidida a não pensar sobre isso, mas envergo e me enrolo numa sensação de que estou diminuindo. Me tornando uma partícula de poeira. Você poderia pensar que isso não magoaria a mim, mas feriu. E aquele beijo, eu queria ter dito que a sua forma arrogante me divertia e que eu estava adorando aquela tarde que te entediou.
Eu sei que não vamos assistir filme nenhum. Sou a presa mais fácil no seu campo de ataque, e talvez você ache que algumas poucas palavras me fariam ceder. Devo lhe dizer que o seu abraço roubaria coisas muito mais importantes de mim. Mais importantes que provar do meu corpo. Muito mais importantes do que me guardar, indevidamente polida na sua estante de troféus. Se eu desconfio demais, ou se presto atenção no horário em que as luzes da praça acendem todas juntas... acho que de nada adiantaria tentar sermos algo. A minha frescura, como você disse, deve ter cegado a sua capacidade de prestar um pouco de atenção no que te cerca.
Essa provavelmente sou eu, racionalizando coisas, mas se você usar a inteligência e o bom senso que tem em abundância, poderia rever os seus conceitos. Não ligo se a minha amiga não te amou o suficiente. Não ligo se você errou de forma vocifera com ela e chegou ao extremo. Sabe, eu não ligo. Se você pudesse ser inteiramente meu no instante em que me olhasse nos olhos. E pudesse ser meu, sem que eu precisasse me despir para chamar a sua atenção.
A sua postura revelou um desinteresse imutável. Sim, eu sabia, mas quis achar que poderia estar enganada. Seu desânimo estapeou meu rosto, embora isso não me fizesse despertar. Você ainda deve pensar que eu sou aquela garota nerd que cumpria horários, não tinha namorado e não conseguia conversar nada com ninguém sem desviar os olhos para o outro lado. Aquela de munhequeiras pretas, calças largas, que discutia com você sobre Evanescence ser uma banda gótica (admito a minha imbecilidade quanto isso). Talvez, quem sabe, essa ainda seja eu. Mas você não se preocupou em olhar direito para ter certeza. Creio que se tivéssemos aproveitado melhor aquela tarde chata, poderíamos rir sobre as nossas idiotices e comentar sobre as lixeiras iluminadas colocadas estrategicamente na praça, logo que anoitece. Tudo para chamar a atenção. Tudo para ser visto. Você pensaria melhor.
Não sou apenas a garota que você deixou sozinha no ponto de ônibus. Serei seu pensamento de frustração que virá a seguir. Porque eu posso ser uma desequilibrada, mas também posso apertar com força. Isso não é uma ameaça, porque não estou zangada. Apenas penso. Reflito. E observo. Lhe digo com propriedade: você morrerá na praia.


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