sexta-feira, 19 de abril de 2013

Blusa amarela e desânimo

Estou usando uma blusa amarela que eu odeio. Sabe, nessas minhas noites de solidão, lhe contar sobre meus dias tediosos tem me feito sentir um calorzinho no peito. Mas é pequeno, não se anime. Igual a um fósforo, acende, mas logo se apaga. Sempre que as frases terminam, sempre que eu acabo.
Essa blusa realmente me incomoda. Sei que deveria dá-la a alguém, mas nao consigo me desfazer, simplesmente. É realmente bom saber que não tem um bebê no meu útero e que eu não vou precisar ir atrás daquele cara mesquinho. Me sinto quase em paz.
As coisas estão no lugar. Digo, tenho "saúde", um namorado que amo, uma família que me apoia. Mas Luís... que porra é essa que não me deixa respirar direito? Esse incômodo. Essa angústia travosa que amarga meus dias... Eu me pergunto onde erraram comigo. Onde eu deixei que meu senso de comodidade se perdesse. Sim, porque não me sinto confortável nesse corpo. Esqueço coisas. Entro em crises de euforia e depressão tão profundas... E não posso conter esse temperamento inquieto que enfeita minha essência. Ser eu tem me causado dores de cabeça.
Tomo remédios demais, porque não quero ver o dia passar. Sinto que estou caminhando, senão, apenas para a morte. Não há flores no caminho, só o asfalto quente do sol e as litras amarelas no meio da rua. Uma garota parecida comigo caminha de um lado para o outro. As pessoas não entendem, mas ele vive fugindo de um fogo cruzado. De uma guerra que se alastra sobre o território do seu frágil e corroído coração em chamas. Eu realmente não gosto dessa blusa. Eu não gosto dessas noites tristes. Eu não gosto dessa encarnação.
E falo banalidades, porque de um todo, estou mortificada. E essas banalidades reluzem, em outra dimensão, uma importância que de veras existiu algum dia. Um dia que não é hoje. Sabe, amigo, me acusam de frieza, mas você pode ver, dentro dos meus olhos, minha alma quente e pulsante. Eu aprisioso tantos golpes e gritos por medo de perder. Então termino sangrando, com uma faca na mão e um olhar vazio.
Sim, o vazio!! Você se lembra dele? Eu gostava de quando você surgia com seu casacão e ficava ao redor da cama, esperando que eu terminasse de chorar. Você não sabia o que dizer, mas não ia embora. Isso era nobre, pra alguém que nunca recebeu muita coisa. Obrigada.
Penso em ir tomar outro comprimido. Nos meus sonhos - às vezes - eu não tenho essa ferida. Estou limpa e sem cicatrizes. E a vida parece uma alucinação distante, que não pode mais dar socos no meu rosto. Dormir tem me feito durar mais tempo.
Desculpe o desânimo. O corte está doendo.
Eu estou doendo.
Abraços afetuosos. Vou jogar a blusa no lixo antes de escrever a você novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário