- E se isso
fosse um sonho? E a realidade viesse depois da morte?
Luís estalou
os dedos das mãos, olhando para o chão, pensativo.
Eu
continuei.
- Um jogo
maldoso entre Deus e o diabo, pra ver quem aguenta mais.
- Acho que
você precisa parar de pensar essas coisas sem sentido.
- Sem
sentido? Acha mesmo que não tem sentido nisso? Diga com sinceridade.
Luís se
manteve quieto.
- Até você
concorda – retruquei, sentando na cama, ao seu lado.
- Você
funciona diferente das outras garotas. Tem ideias diferentes.
- É como
diria a Effy, de skins. Eu nasci ao contrário. Eu funciono ao contrário.
- Aquela
garota é muito boba.
- Somos
bobas, temos isso em comum.
Luís riu.
- Elas pelo
menos não tem essas teorias mirabolantes que você propõe.
- Porque eu
penso.
- Isso é
negatividade, Verônica.
- Ok, sou
negativa. Mas não deixo de ser racional.
- E cadê as
provas que validam sua teoria?
Ri.
- Olhe para
mim! Eu sou a prova viva! A minha vida é um pesadelo, e eu só posso me libertar
dele com a morte, por que depois dela vem o que é real.
Luís me
observou por um tempo.
- Não
racionalize seu desejo de morte.
Baixei a
cabeça.
- Tenho
lapsos de memória. As vezes não sei se estou acordada ou sonhando... a solidão
é tão presente, que sinto-a tocar em meus ombros. Me arrepio.
-
Alucinações, delírios?
- Minha
vida. Basicamente, isso. Sou tão feliz que posso morrer. Sou tão triste que
posso me matar. As coisas sempre chegam na palavra morte.
- Você se
alegraria se eu dissesse que é provocante?
Fiquei
olhando Luís e o seu sorriso bobo.
- Você me
banaliza, mas tá bom, eu me alegrei agora.
Ele me
beijou no rosto.
- Você tem
cheiro de cigarro. – falei.
- Mas eu não
fumo.
Claro. Ele não
fumava. Eu fumava. Eu fantasiava.
- Tá certo.
- Sem pensamentos
de morte por hoje, pequena provocadora?
Ri.
- Vou tomar os
remédios e dormir. Sonhar a vida.
Luís se despediu.
Era quase noite. Voltei para o quarto e divaguei sobre o pesadelo. Minha existência.
A realidade depois que o coração para de bater.
Borderlagens.
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