terça-feira, 9 de julho de 2013

Miudezas e banalidades.

Ninguém em casa. Mas aquele não era meu lar... Eu fico olhando o abajur e pensando em como seria bom não ter os mesmo sonhos repetidos. Coloco o espelho em outra posição, não quero olhar meu reflexo. Aquela garota pode estar me observando na calada da noite. Não. Eu não quero ver ninguém. A irritação me estrangula e me faz cuspir desaforos. A raiva me coloca em um nível onde a única saída é machucar alguém - mesmo que esse alguém possa ser eu. Estou cega. Mas consigo falar direito. Isso é tão estranho. Sobrevivi a um divórcio. Uma mudança de casa tão brutal como um estupro. Mas continuo nas minhas "exagerâncias". O copo sempre estará vazio. Este corpo sempre estará vazio.
Chego ao limite e vou adiante. Com minhas roupas de frio, no meio da vegetação molhada do sereno. Está escuro. Um pássaro gorjeia. Eu devo dizer que não queria ter brigado com ninguém. Eu queria ter fingido que não ouvira nada daquilo. Mas você deve entender que algumas coisas não podem ser controladas. Eu brigaria com você outra vez e outra vez. Eu xingaria sua mãe e mandaria você se foder, não importa se isso me rendesse um soco na boca. Esqueci de dizer que esse cachorro não para de latir nunca. Mesmo que os latidos sejam substituídos por ganidos. Ele vai continuar atormentando.
Caminho mais um pouco, estou suada. Você deixou uma marca em meio seio. Um rasgo na alma, tão grande, que caberia uma enciclopédia. Se eu sou a garota que nunca está satisfeita e se eu deveria deixar de ser tão violenta com as pessoas. Foda-se. Continua escuro. Perdi um dia de trabalho porque estava dopada demais para levantar da cama. E não importa o quanto eu vá tossir, eu continuarei fumando a mesma quantidade de cigarros, todos os dias. Marquei de tomar umas biritas com a dona Morte. Nesses segundos longos, eu só queria abraçá-la. Abraçar algo.
Quando você vai finalmente parar de desistir das coisas? Quando esse buraco em meu cérebro vai ser tampado? Sim, eu acho que aquela gente queria comer o meu fígado. Não aguento as reclamações de que eu não faço nada certo. Corto até sujar todo o lençol de sangue. A raiva apertando meu pescoço. A primeira palavra que eu te digo é um insulto. Porque você é o filho da puta que eu amo. Tão escuro e frio... Se eu pedir pra recomeçar, Deus poderia me dar um cérebro novo? Você já tomou seus remédios? Essa é a porra da frase que me dizem quando eu começo a falar algo. Estou tão cansada dessas pílulas. Cansada de ter que viver essa mesma vida de merda. Foda-se o monitor, a gerente e toda aquela cambada. Foda-se. Querida, você vai ficar pulando de emprego em emprego? Eu discutirei outra vez. E outra vez.
Miudezas e banalidades. Todas as coisas que eu deixei no canto enquanto tentava levar a vida numa boa. Agora parece tarde demais.

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