eles vão sair pra conversar. ninguém em minha cama, um cérebro com pensamentos que me engolem. a cortina da janela flutuando com o vento. alianças em meus dedos, amarras em meus pés. se alguém ler, e entrar pela mesma porta que eu, poderá ver os pedaços brilhantes. mas que maravilhoso... ele vai me deixar porque tem medo das minhas ideias. mas nao sao ideias. ele nao entende a diferença. ele finge que ouve quando eu falo mas fica pensando nas putas que poderia estar pegando. e me faz descer, profundamente, nesse abismo gelado e morto. o meu quarto.
a noite é escura e cheia de terrores. diz a sacerdotisa vermelha. eu a odeio. mas aquela faca estranha pode matar os caminhantes brancos! então, eu devo guardá-la, para o dia. a questao é que é sempre o dia. quando me ligam e me chamam para algum lugar. esses corvos por toda a parte, sinto o cheiro do sangue e a morte ruge como um leão em meus ouvidos. presa, domadores em seus postos. a faca é minha e foda-se a sua verdade. bem, eu nao preciso dos seus conselhos, eu nao preciso do seu sexo, eu nao preciso da sua comida. vou correr o maximo que eu puder e alcançar as nuvens, como carneirinhos brilhantes, morder sua carne e sentir o sangue pingando dos meus lábios. nao, eu nao quero pensar sobre isso, eu nao quero entender, eu nao quero ouvir. eu nao preciso de voces. e quero que se fodam todos. podem vir me pegar. essa força maligna que eu sinto exalar dos seus ossos, rindo da minha cara de medo, à noite, batendo nas paredes. aqueles olhos pretos como carvão, úmidos e pegajosos, ao redor da cama, puxando meus pés como se eu fosse um coelho abatido. deve ser possivel notar que eu tento fingir que estou sonhando, mas eu os sinto entrar em minha mente e vasculhar cada pedacinho dela, bolando planos e comprando pessoas para o seu jogo cruel e sórdido. deus olhando do alto, e rindo junto. ele nao se importa. os demônios vencem as guerras? agora eu nao ligo se voce sair por esta porta e se nao quiser mais olhar na minha cara. eu sou a vadia que voce quis ter e agora que ganhou o jogo, pode me descartar. foi como minha mae disse. e como a veronica dizia. e como eu dizia na minha cabeça. o amor se apaga, como uma vela que o vento gelado sopra. rápido, furtivo, certeiro como uma flecha. podem ate dizer que eu desperdicei anos, e gritar horrorizados com qualquer coisa que eu diga, porque a verdade é uma faca afiada e eu vou enfiá-la na sua garganta e puxá-la, rasgando-a, olhando seu sangue escorrendo, sua vida se esvaindo. o poder em minhas mãos, mas o assombro, pesando nos ombros, nao importa quantas vezes eu grite e implore, deus nao ouve. e voce faz aquelas coisas que eu nao gosto, congelada de medo, eu devo admitir, eu tenho medo, olhando para mim enquanto eu tento dormir, buracos nas paredes, gente no espelho, esse reflexo bastardo. clamabo. eu a ouvia rir de madrugada, e isso me irritava, porque fazia meu coração parar. e continuar a bater. e parar. e apertar. e bater. e por alguns instantes eu estava fora do corpo e nao era mais eu, e nao era mais gente. correndo no meio das plantas, com um rasgo na mão, e nos braços, e nas pernas e na coxa. meu pai quer dar o seu dinheiro e compensar a vida horrivel que eu ganhei de presente. naquelas noites, voce me disse, vá, entao faça, se mate. era voce, era voce! por favor me diga aonde estou indo. é escuro demais? eu tenho medo do escuro. tem anjos lá? quando voce começou, eu estava caída no chão, trêmula de tristeza e dor. agora eu sou uma rainha do norte. nao. eu sou... eu sou... o que voce acha? voce é jéssica. sim, eu sou! e as coisas se alinham perfeitamente nessa dança melódica, as festas, os risos, as pessoas! mas se eu sair agora, eles cortam minha cabeça. tudo que eu digo, eles cospem. e pisam. e riem. aquela senhora me disse a verdade, eles querem voce. eu o via em meus sonhos, mas eu o matava, sempre o matava, ele com aquele sorriso estranho no rosto, me fazia acordar com medo de olhar as paredes. ele sempre estava lá e esteve perto esse tempo todo. e se eu digo que nao posso confiar nas pessoas é pq ele tem servos e aliados que querem e nao se importam com algo como eu. compra pessoas, pessoas que eu amo, e lhes oferece coisas caras. sonhos caros. entao alguem pergunta algo, mas nao é aquela pessoa, é outra, falando pela boca dela, pq tem algo que ele não consegue ver em minha mente, e precisa ouvir de mim. usa pessoas como fantoches, e as faz chegar perto, minando o caminho de fuga. tão longe, o portao é tao longe. eu devo fugir, mas eu sempre volto para olhar o quanto aquela mulher chegou perto de escapar também. suas roupas de dormir, o sangue no chão. a casa escura. a lua no céu. um carro pequeno. ele é o monstro e eu nao posso olhar para trás porque nao conseguiria olhar o seu rosto de novo. sinto os musculos do corpo se contorcerem por fazer força demais, estou morrendo, e eu sei que é escuro aí, mas tem sido dificil manter os olhos abertos. essa é a realidade que as pessoas nao suportam ouvir ou ler, ou sentir. ele é o medo. ele é o ranger de dentes. os olhos brilhantes no meio da madrugada. a coruja noturna. o meu carrasco.
lucidez maior nunca existiu.
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