Não sei se quero
ir vê-lo. Mas penso que ele me daria atenção e seria amável comigo. Gosto disso.
Gosto de beijá-lo. Gosto da maneira como ele me puxa para perto e simplesmente me
beija sem pedir. Não me importo em conversar por horas. Seja o que eu for, ele ainda
não se afastou. E parece gostar. Devo continuar. E ser isso. Uma prévia do que eu
faria para não desapontá-lo. Mas essa deve ser eu. Creio. Sim, sou eu! Uma certeza
fugaz presa em minha língua. Não sei até que ponto iremos. Tento não pensar e não
me preocupar. Não o procuro. Receio que isso o afaste... permaneço quieta. Eu o
aceito. Mas virá aquele domingo nefasto. Não posso estar sempre perto. O meu outro
amigo prometeu que estaria comigo o dia inteiro. Embora eu ache que as suas intenções
não são realmente verdadeiras, não posso negar o fato de que irei estar com ele.
E abraçá-lo. E pensar que não estou sozinha. Pensar que ele gosta de mim, nem que
seja um pouco... Talvez ele venha a me amar muito e a recíproca se torne verdadeira.
Me amar. A minha família acredita que isso me fará bem, mas por dentro, embora eu
sorria – convulsiono. E gemo. E choro. Alguma coisa apertando meu coração. Mãos
ásperas e enraivecidas, aquele sentimento endurecido e inesperado que circula em
minhas veias e me faz tão próxima da dor. Amor agourado. Imagens de fantasmas vivos.
Desvio o olhar, tento conter a ânsia. Eu temo o escuro, o frio de não ter um abraço.
Estou viva. Estou respirando. Volto a mim. E o dia acabou. O meu amado se esconde
atrás de uma tela e me faz tocar o céu, porque o sentimento é verdadeiro. Ou talvez
eu não perceba que esteja caindo para dentro de uma ideia desmembrada de relacionamento.
Penso, mas divago e caminho em direção a alguma luz. Qualquer coisa é luz. E qualquer
sorriso é afago. E o meu corpo é uma porta aberta. Meus braços são envoltórios de
desenlaces. Minha boca pragueja um amor forte o suficiente para me trazer de volta
a vida.
Meus amores estrangeiros.
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