Isso é mais
um relato piegas. Estou a beira de me despir desta pele. Chorar não é
suficiente. Nem sangrar. Fico olhando meu corpo morto, e pensando no meu
cansaço. Não acredito que perdi tanto tempo... não acredito que contei meus
segredos e me desprendi das minhas armas. Pessoas são cruéis. Eu deveria estar
protegida por trás da vitrine. E fingir que estava bem.
Não dormi. E
não consegui desligar. Fiquei pensando no resumo de filosofia, no comercial que
preciso elaborar, no corte na coxa por causa do Daniel. É bobagem e fico feliz
por ser a única a testemunhar isso. Do outro lado do espelho, no submundo do
clamabo, talvez a criatura tenha amor por mim... de tanto ouvir meus balbucios
e minhas orações. Creio que sim. Ela percebe que estou sangrando. E imita o meu
olhar por solidariedade.
Não acredito
que perdi tanto tempo. Despejando minhas inseguranças, minhas confissões. Agora
eu tenho a plena certeza de que meus amigos imaginários e minhas histórias
fantasiosas são inofensivos para mim. E benéficos. E sangrado. E santos. Não se
pode confiar em carne e osso. Depois de te segurarem, as pessoas te soltam no
escuro. Sozinha. No frio. No meio do caos. Não tem ninguém pra te orientar.
Talvez a minha mãe entenda que eu simplesmente não consigo dormir as vezes.
Me sinto
envergonhada. Porque fraquejei e deixei minha pele ferida exposta. Ninguém
precisa saber dessas coisas... ninguém quer saber. Eu deveria ter pensando que
o meu silêncio poderia me livrar da dor. Da possível facada. Não pensei. Fui
tola. Caí. Então ele me diz que desiste de viver por mim e de me apertar nos
braços. Porque não encaro a realidade. Porque fujo. Porque estou nervosa e
grito desaforos. Ele diz que vai começar a viver por ele e me deixar de lado.
Ou então ele para de banalizar meus sentimentos e decidi ir dormir.
Desprezando-me.
Cuspindo em
mim.
Chorar não é
o suficiente. Nem bater o pé. Ou fazer cara feia. Não me sobrou nada. Só uma
tristeza pequena, forte, lancinante. Que deturpa os pedaços da minha esperança utópica.
Estou aprisionada em sua teia. Eu sugo seu veneno e perco os sentidos devagar.
Exatamente da forma como sou nocauteada. Sem pressa. Mas de forma dolorosa. É
piegas. Clichê. Sou eu. Mascarada, verdadeira. Jogando palavras ao vento. Sem brilho
nos olhos.
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