terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Piegas



Isso é mais um relato piegas. Estou a beira de me despir desta pele. Chorar não é suficiente. Nem sangrar. Fico olhando meu corpo morto, e pensando no meu cansaço. Não acredito que perdi tanto tempo... não acredito que contei meus segredos e me desprendi das minhas armas. Pessoas são cruéis. Eu deveria estar protegida por trás da vitrine. E fingir que estava bem.
Não dormi. E não consegui desligar. Fiquei pensando no resumo de filosofia, no comercial que preciso elaborar, no corte na coxa por causa do Daniel. É bobagem e fico feliz por ser a única a testemunhar isso. Do outro lado do espelho, no submundo do clamabo, talvez a criatura tenha amor por mim... de tanto ouvir meus balbucios e minhas orações. Creio que sim. Ela percebe que estou sangrando. E imita o meu olhar por solidariedade.
Não acredito que perdi tanto tempo. Despejando minhas inseguranças, minhas confissões. Agora eu tenho a plena certeza de que meus amigos imaginários e minhas histórias fantasiosas são inofensivos para mim. E benéficos. E sangrado. E santos. Não se pode confiar em carne e osso. Depois de te segurarem, as pessoas te soltam no escuro. Sozinha. No frio. No meio do caos. Não tem ninguém pra te orientar. Talvez a minha mãe entenda que eu simplesmente não consigo dormir as vezes.
Me sinto envergonhada. Porque fraquejei e deixei minha pele ferida exposta. Ninguém precisa saber dessas coisas... ninguém quer saber. Eu deveria ter pensando que o meu silêncio poderia me livrar da dor. Da possível facada. Não pensei. Fui tola. Caí. Então ele me diz que desiste de viver por mim e de me apertar nos braços. Porque não encaro a realidade. Porque fujo. Porque estou nervosa e grito desaforos. Ele diz que vai começar a viver por ele e me deixar de lado. Ou então ele para de banalizar meus sentimentos e decidi ir dormir. Desprezando-me.
Cuspindo em mim.
Chorar não é o suficiente. Nem bater o pé. Ou fazer cara feia. Não me sobrou nada. Só uma tristeza pequena, forte, lancinante. Que deturpa os pedaços da minha esperança utópica. Estou aprisionada em sua teia. Eu sugo seu veneno e perco os sentidos devagar. Exatamente da forma como sou nocauteada. Sem pressa. Mas de forma dolorosa. É piegas. Clichê. Sou eu. Mascarada, verdadeira. Jogando palavras ao vento. Sem brilho nos olhos.

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