Eu fico pensando em como foi o seu dia. Sem mim e sem
a sombra do que deixamos para trás. Você deve imaginar que eu sempre volto àquele
ponto. O ponto onde as coisas eram divertidas e empolgantes. Aquelas velhas lembranças
que me perturbam e não me deixam dormir à noite.
É o que eu tenho sido pra mim mesma. Um fantasma. Uma
sombra numa viela mal iluminada. Foi onde eu deixei meu corpo descansar. Sentei
na sarjeta, fumando um cigarro com gosto de menta, e me afastei para o meu mundo
de ideias e suposições. Presa a uma garrafa de vodka e a premissa de que eu destruiria
qualquer coisa com um grito aterrador. Sem medo, sem vergonha, sem pensar nas consequências.
Do jeito que eu tenho vivido a minha vida esses anos todos.
Como num passe de mágica, eu vou reviver nossas confissões
de felicidade, e sorrir, embriagada, como quem nunca sentiu isso antes. Como uma
criança. E você vai achar que eu finalmente enlouqueci. Mas não haverá resposta
para as minhas perguntas. Ninguém vigiando meu sono. Só a mesma e complacente consciência
de que tudo foi tragicamente jogado no lixo. Por mim. Por minhas mãos. Meus lábios.
E o inferno chegará antes do último gole. Me fará companhia até o sono chegar e
se apossar do meu estado de consciência. Embora eu ache que fui longe demais, ainda
permaneço quieta no mesmo lugar.
Pensando. Repensando. Enxugando as lágrimas e o suor.
Solitária na viela mal iluminada dos meus pensamentos e recordações.
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