Domingo à noite, o tempo parou, depois que as
pessoas voltaram da igreja. É dia de imaginar o paraíso. Mas ninguém gosta de
voltar pra casa, porque essas noites de domingo deixam uma sensação de que
falta algo. E isso assusta todo mundo.
Ao contrário das pessoas normais, eu sou aquela que
fica pensando nisso. E não durmo. Fico na cama, sofrendo, suando frio. Embora
seja começo de segunda. Então eu me dou conta de que é assim a semana inteira.
Lembro que você já deve estar dormindo, na sua cama espaçosa, sonhando com a
sua nova namorada. Mas isso não me dói. Não como eu acho que deveria doer. Esse
vazio era o mesmo quando eu tinha você, apesar da solidão, é tudo que me resta.
Tudo que faz companhia nesses tempos.
Me sobrou um amor duvidoso. Sinto cheiro de encrenca
e lágrimas. Vou molhar o travesseiro com os meus olhos cansados e encher meus
amigos imaginários com as confissões de culpa que eu engoli esse tempo inteiro.
Vou vomitar meu coração e repudiá-lo. Vou acabar comigo. Como eu tenho feito.
Por que eu sabia. No fundo, embora eu fosse feliz, eu sabia. Noite de domingo,
essas noites nunca terminam. Daí quando as pessoas descansavam aliviadas pelo
sono, eu fico aqui, pensando que você já está dormindo. Fico quieta, chorando.
Sem dormir, sem viver. Sem uma parte de mim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário