Me ocupo com alguma tarefa corriqueira. Algo que
me lembre como é ser uma pessoa normal. Comum. E tento passar o máximo de tempo
presa a essa ideia, sem querer me afastar dela para encarar o mundo real. Me
vejo às voltas com um desejo massivo de não enfrentar a minha loucura. O desejo
de me esquivar da minha doença.
Estou calma, nesta manhã doce de quarta feira.
Mas não posso negar a decepção e a tristeza que amolecem meu coração por
inteiro. Ontem eu pude me dar conta de quanto tenho medo da solidão. E de como
eu consegui estragar as coisas. Mas não, esse post não é sobre uma possível
auto retaliação, esse post é sobre a descoberta. A maldita e certeira
descoberta.
Sozinha eu fico sem chão. Eu não sei caminhar,
pensar. Eu não sei lidar comigo. Eu me junto a um amontoado de sentimentos que
eu não sei pra onde vão. No meio do caos e do medo, eu vou lá, pego a faca e
abro um corte na coxa. Não é por outro motivo a não ser aliviar a dor de estar
perdida. Perdida, sozinha e anulada. Depois me vem um sentimento de
inferioridade, uma raiva por ter decaído depois de meses completamente isenta
de machucados. Descubro que enfraqueci. E que não tenho tanta força quanto
imaginei. Estou esperando a chuva passar, sozinha, debaixo de um telhado
qualquer.
Não tem príncipe com guarda chuva. Não tem pai e
mãe com carona de carro. Só eu, meus cortes e a minha solidão.
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