segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ansiedade ou morte

Agora, um ruído. Depois da nota. Ela fechou os olhos e pulou. De baixo pra cima, pensando nos cacos de vidro. Eu a deixei por fora, e tranquei a porta. Comia uma fatia de medo, açucarado com geleia azeda. Ontem você disse que era tarde para ligações apaixonadas. Desculpe.
Tenho perdido a linha. Agora que tudo tem parecido incolor. Eu deito na cama e penso em tomar muitos goles de você. Ouvindo a nossa canção de adeus e vendo fotos de pessoas mortas. É sempre o mesmo pensamento repetido. Eu me seguro, abraço o corpo e tento não alcançar a segunda gaveta. É difícil ter um nome sujo. É difícil não sair do escuro. É difícil escrever sentimentos.
Ele brinca de adivinhar os números. Pulando de casa em casa como se fosse uma criança birrenta. Depois ele acha a garota certa e diz a ela que eu infernizei sua vida. Não respeita uma bêbada quase regenerada. Eu sei... eu sei que ele fala mal de mim pelas costas. O cara da terapia não acredita em mim. E a minha mãe também. E acho que ninguém acredita. É um disfarce para um gigantesco complô operante.
Querem me ver morta. Eu com o nome sujo e os braços amarrados. É um gigantesco amontoado de ódio. Pra não fazer sentido... eu pingo minhas lágrimas sobre as folhas de papel amassado e tento ler as palavras com a sua letra. Ansiedade. Não, porra. Ali está escrito morte. Em letras grandes. E depois eu ouço uma gargalhada. Os olhos acesos de alguém que eu amava, longe de mim. Brilhando no escuro. Essas coisas brilham. Esses sentimentos doem. Querem me ver morta.
Anotando pistas para a solução do crime. Sem entender as equações. Sem completar os raciocínios. Eu preciso comprar a ração do coelho. E fazer sentido. E mudar de nome. E não sair da cama. Longe, essas coisas brilham. Ela pulou e trancou a porta. Do lado de dentro. Essas coisas no escuro. Esses sentimentos me engolem. Ansiedade. Não... alguém errou o último algarismo.
Você errou.




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