Essa é uma daquelas noites em que eu ficava sem dormir,
conversando atrocidades com a Verônica, me escondendo debaixo dos lençóis com medo
dos demônios me matarem. Eu deveria estar na internet, mas os meus pais reclamavam
demais, então eu ficava na cama, que nem uma morta viva, gelada e repetindo a frase
de que estava morta. A minha mãe tocava na minha pele e via o quanto eu estava fria
e começava a rezar ao pé da cama, pedido à Deus para que aquilo terminasse logo.
Se ela tivesse demorado mais um pouco, eu teria me cortado no banheiro, por ordem
da Verônica e ficaria na cama, chorando, com medo das coisas que se escondiam atrás
dos móveis.
Hoje é um daqueles dias, parece que eu vou acordar pela
madrugada e ir até o hospital psiquiátrico esperar oito horas pra ser atendida por
um lindo médico atencioso. Não. Mas parece muito. É uma noite parecida, sabe?
Eu disse pra minha mãe que eu achava que eles compactuavam
contra mim, e ela me abraçou dizendo que não era nada disso. Sinto que fraquejei,
porque agora ela já sabe que eu desconfio. No fio da loucura e no pouco bom senso
que me resta, eu acho que estou louca, mas algo me diz, no fundo, que estou fazendo
objeções certas. Sim. Há um complô contra mim e querem a minha morte. Todas as pessoas,
eu sinto isso, e acho que estou certa. Ele tentam me enganar com palavras bonitas,
mas querem me ver num caixão.
A jac me disse pra contar isso à psiquiatra, mas e se
ela estivesse misturada no complô? Eu estou sozinha. Eu me cortei no sábado e tinha
alguma coisa do lado de fora querendo entrar. Eu vi, pode baixo do lençol, eles
andando pela casa, como vultos. De um lado pro outro, esperando eu dormir. Porque
eles esperam eu dormir? Querem roubar algo de mim, tirar minha alma fora... todos
querem me fazer mal. É isso.
É isso.
Eu não estou louca.
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