Me deixaram sozinha com uma senhora numa cadeira de balanço.
Eu sei que somos iguais, mas tenho me perguntado quanto tempo vai demorar até que
uma de nós duas morra. Acho que ela me deixará primeiro... temo que o tempo dela
seja menor que o meu. Se ela morrer... Quem me olhará? E quem me oferecerá maçãs
geladas? Quem vai olhar para mim e resmungar, esse gato chora demais?
Todos vão embora depois que eu desperto. E continuam
se afastando enquanto o resto do tempo passa. Eu amoleci e enrijeci os músculos
da face. Recebo ligações e mensagens de insulto e tudo que faço é tentar entender
o que fiz de errado. Eu aceito tapas. Eu deveria estar zangada, mas não consigo
me exasperar com isso.
Não com isso.
A minha raiva acorda em horas indevidas e fica comigo
até as pessoas ficarem com medo das minhas atitudes. Ela é uma velha louca. Ela
fala sozinha. Ela ri do vento. E soca paredes. Chuta paredes. Xinga a mãe. À noite,
eles têm medo que ela faça algo.
A velha senhora ressona em sua posição confortável. Eu
prendo o choro e tento acreditar que ela estará viva amanhã, para me contar seus
sonhos. Nós nos faremos companhias, seremos a sobra. Nós veremos o fim do mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário