Pode me perdoar por tentar de novo?
Desculpe.
Ela é uma garota de treze anos e se chama raiva. Não
suporta situações frustrantes e quando fica irada, chuta tudo que vê pela frente
e joga coisas no chão. Daí os seus pais lhe obrigam a tomar um comprimido para ficar
calma. E perguntam, Você nunca vai deixar
de assim, desse jeito? Eles estão assustados e a situação não agrada.
Então ela se tranca no quarto, ignora ligações e a única
coisa que consegue fazer é andar chorando de um lado para o outro. Tonta, com dor
de cabeça, enjoada... Cansada de levar sua vida ladeira a baixo e de viver como
se não houvesse amanhã. Chora de novo. E lembra-se da época em que as coisas pareciam
mais fáceis de suportar. Lhe vem à cabeça uma vontade imensa de abrir um fenda nos
pulsos e observar o sangue escorrer pelo azulejo.
Ouve algo, parece um choro, tenta se prender à ideia
de que não deve se machucar. Pensa nos pais e no gigantesco complô que estão armando
contra ela e sente falta de ar.
Tão jovem e com tanto problemas de ajustamento. Ela não
serve pra trabalhar. Ela não é engraçada. Ela fica quieta demais quando estão falando.
Ela chuta coisas e xinga a Deus. E chora. Depois a raiva chora. E espera o remédio
fazer efeito. E os seus pais virem lhe assassinar.
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