Hoje
está tudo muito bem. Eu passei o dia na cama, lendo, jogando, assistindo TV.
Tentei dormir, mas espíritos inquietos não dormem durante a tarde. Fiquei
jogada sobre a cama, e estava tudo tão calmo. Fez um tempo estranho, muito
vento, friagem, não parecia a minha cidade quente. Foi tudo ao contrário hoje.
Eu, o tempo.
Acho que isso é um avanço. É engraçado pensar que no
meio de tanta balbúrdia possa haver calmaria. E tempos estranhos, com ventos
raivosos e destemidos. O meu humor não faz o mínimo de sentido. E acho que nada
nessa vida faz algum sentido. A minha tristeza saiu de mim essa noite, depois
dos remédios, escapou do meu peito, subiu, tão alto, até contaminar o céu. Por
isso tanta chuva, o vento descontrolado. E eu na cama, lendo, abraçada a uma
paz refulgente. Deus disse que eu poderia descansar de mim, por algum tempo.
Devo aceitar as minhas condições de vida e tentar viver o melhor possível.
Nada é tão difícil quanto isso. Mas eu preciso
transformar a paz num estado de espírito costumeiro. Como? Se as vezes me vem a
loucura de correr atrás do meu cachorro até não ter mais fôlego? Não sei. Deve haver um
jeito de driblar a tristeza que abate minha alma frágil. Um jeito de coexistir
comigo, com minhas instabilidades. Deve haver um jeito de viver dentro do meu universo.
Agora
eu só quero aproveitar a minha paz. Antes que meu dia estranho termine.
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