Eu preciso me policiar. Eu sou o guarda e a prisioneira.
Agora a pouco eu tive a sensação de que você viria me ver hoje. Houve um
salientar de felicidade, seguida daquela dor aguda no lado onde o coração fica.
Você não vem. E não virá nunca mais.
Era uma das coisas que eu deveria ter acostumado a
enfrentar. Mas sabe, eu sou fraca também. Eu estou alquebrada e precisando de
uma dose você. O meu doce vício de olhos castanhos... Me atenho à consciência
de que será uma noite insossa e tento concentrar meus pensamentos numa
atividade qualquer.
Pra esquecer que você não virá.
Há um rebuliço de sentimentos maus que afloram em
mim quando eu perco as rédeas. Tudo que eu mais apreciava foi jogado na lama
nesse exato momento. Eu sei que você está feliz sem mim, mas de todas as
coisas, eu sempre soube que a sua ausência seria a causa da minha morte
espiritual.
Sem você, as coisas são incolores. Nada é suportável
e eu decaio com facilidade. Quieta em minha cama, eu fico esperando até perder os
sentidos. E me pergunto se você está bem. Deveria me policiar melhor, mas você
me toma pela mão e me trás de voltas aos nossos esconderijos antigos. Num sonho
bobo de início de madrugada.
Eu volto para a cela e espero o dia amanhecer. E
tento me acostumar com a sua ausência. Tento me acostumar com a ideia de que
estou morta.
Só queria que você me perdoasse pelas babaquices e ataques
de ódio. Eu estou doente e pagando por todos os erros que cometi com você.
Será assim pelo resto da eternidade.
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