Me escorrem lágrimas salgadas pelo rosto. Nós lutamos
até o ultimo segundo, até não termos mais fôlego. Passaram um óleo perfumado em
nossas testas, num gesto que significava derrota. Depois riram na nossa cara,
por que os chutes e os socos foram todos em vão.
Agora estamos jogados num canto da calçada, sem serventia
e cansados de não ter uma resposta convincente para explicar o motivo de estarmos
na sarjeta. Você chutou meu coração ladeira a baixo e pergunta o que há de errado
comigo. Porra, eu quase me dopei de remédios, eu poderia ter morrido. Que diabos,
minha mãe presta atenção demais em mim. Ela põe a culpa no computador, no meu pai,
mas não entende que o culpado é um filho da puta que quer me matar.
E eu choro. Como uma criança, porque deixei você escapar,
porque perdi a batalha. Eu choro porque há uma coisa muito errada com a forma com
que encaro as coisas. Eu choro porque não há cura nem conserto.
Deixe-me.
Eu só queria me dopar pra esquecer o quanto dói.
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