Eu
odeio o jeito com que você fala comigo. E a maneira como se expressa depois de me
ouvir dizer algo. Porque você não acredita e nem se importa se as suas palavras
vão me fazer morrer. Seu porco. Eu odeio você. Me sinto tão exausta de correr nessa
saleta, eu sou enorme mas o espaço é pequeno demais para as minhas tristezas. A
culpa é sua por eu ter cortado o pulso. Você me disse que não limparia a sujeira,
e saiu dando de ombros. Pobre garota mimada. Não entende que a vida é muito mais
do que um encontro... se ele soubesse que eu não durmo e que eu anseio pelo sopro
da vida. Ele choraria por mim. E pediria perdão. E me soltaria desse laço apertado.
Eu estaria livre do casulo e saberia voar. Mas os velhos canastrões querem sangue
novo. E cordeiros ingênuos. E lágrimas depois dos gritos de ordem e obediência.
Eles querem meu sangue. Minha carne rasgada em muitos pequenos pedaços.
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