terça-feira, 31 de julho de 2012

Confissões bobas


Eu não sei bem como me explicar. Parei de beber. Tomo meus remédios. Cuido de um coelho gordo. Não tenho namorado. Às vezes estou bem feliz, depois estou no fundo do poço. Embora o jogo esteja contra mim, eu acho que não estou assim tão caída.
Quieta, ouvindo o choro da Christina Perri, penso que andei fazendo babaquices demais. Estou ouvindo a mesma música há uma hora e acho que estou agindo como uma idiota. Isso me faz pensar em morrer. Me faz imaginar como é estar morta. Eu até postei essa droga de música aqui no blog, enfim. É uma tarde ensolarada e estou aqui, pensando em morrer. Me pego muitas vezes desejando abrir um corte dos pulsos e esperar o sangue pingar.
Eu deveria fazer isso. A minha vontade é uma garotinha birrenta que não me obedece quando deveria. Chora Christina. O sol quente do lado de fora da janela, um daqueles dias em que eu me pergunto que porra estou fazendo na terra. Lítio não tem me causado nada além de enjoos, dores de cabeça e tonturas. O antipsicótico as vezes falha e eu não durmo com um medo desgraçado e desregrado de que algo me mate durante a noite. Ideia retórica. Voltei a falar com um amigo de longa data. Já o xinguei. Já nos desentendemos.
Eu perdi um grande amor por ser exatamente quem eu era. Distante de explicações cientificas sobre a bipolaridade, longe de confissões de culpa. Eu simplesmente perdi. Agora eu paro e penso que deve haver algo melhor nessa porra de vida. Eu tento explicar isso pra mim nesses parágrafos desconexos. Tento não parecer ridícula. Escrevo para não me cortar novamente.
E não encher a cara por causa de um filho da puta que não lembra que eu existo. Devo amar o coelho gordo porque ele é muito mais macho que este outro ser. Sem querer ofender, mas já xingando. Me sinto melhor. Viva. Meio morta. Mas respirando.

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