Eu não sei bem como me explicar. Parei de beber.
Tomo meus remédios. Cuido de um coelho gordo. Não tenho namorado. Às vezes
estou bem feliz, depois estou no fundo do poço. Embora o jogo esteja contra
mim, eu acho que não estou assim tão caída.
Quieta, ouvindo o choro da Christina Perri, penso
que andei fazendo babaquices demais. Estou ouvindo a mesma música há uma hora e
acho que estou agindo como uma idiota. Isso me faz pensar em morrer. Me faz
imaginar como é estar morta. Eu até postei essa droga de música aqui no blog,
enfim. É uma tarde ensolarada e estou aqui, pensando em morrer. Me pego muitas
vezes desejando abrir um corte dos pulsos e esperar o sangue pingar.
Eu deveria fazer isso. A minha vontade é uma
garotinha birrenta que não me obedece quando deveria. Chora Christina. O sol
quente do lado de fora da janela, um daqueles dias em que eu me pergunto que
porra estou fazendo na terra. Lítio não tem me causado nada além de enjoos,
dores de cabeça e tonturas. O antipsicótico as vezes falha e eu não durmo com
um medo desgraçado e desregrado de que algo me mate durante a noite. Ideia
retórica. Voltei a falar com um amigo de longa data. Já o xinguei. Já nos
desentendemos.
Eu perdi um grande amor por ser exatamente quem eu
era. Distante de explicações cientificas sobre a bipolaridade, longe de
confissões de culpa. Eu simplesmente perdi. Agora eu paro e penso que deve
haver algo melhor nessa porra de vida. Eu tento explicar isso pra mim nesses
parágrafos desconexos. Tento não parecer ridícula. Escrevo para não me cortar novamente.
E não
encher a cara por causa de um filho da puta que não lembra que eu existo. Devo amar
o coelho gordo porque ele é muito mais macho que este outro ser. Sem querer ofender,
mas já xingando. Me sinto melhor. Viva. Meio morta. Mas respirando.
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