quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sobre dormir e enlouquecer


Parece uma manhã aconchegante. Devo dizer que dormir demais por causa do rivotril que eu tomei escondido, ontem à noite. Hoje eu me levantei como um zumbi, migrando para a cama da minha mãe, com o mesmo pijama suado.
Foda-se o coelho e se eu devo alimentá-lo. Não me importo mais. Quero dormir. Mesmo sabendo que vou ter pesadelos terríveis quando encostar a cabeça no travesseiro. Vou iniciar uma paralisia do sono e receber a visita de satã. Ele vai se esgueirar até o meu corpo e me estuprar, como tem feito das últimas vezes.
Então eu acordo, choro e me arrependo de ter sucumbido àquele sono irresistível. É o jeito que eles encontram de entrar no seu corpo. Num sonho bobo seu, eles vão surgir do nada e te deixar amedrontado. Vão te fazer implorar pelo despertar e quando você abrir os olhos, vai duvidar se está realmente acordado. E essa dúvida vai te acompanhar por muitos dias. E vai te roubar o sono durante a noite.
Daí vem aquele resto, que é quando pensam que você está ficando louco. Não se engane. Não fraqueje. Guarde seus medos. Contenha seus ataques de alegria e de raiva, pois tudo que você faz é milimetricamente observado.
A minha mãe me olha estranho quando estou feliz de mais. Isso me angustia. O que ela está pensando de mim? Porque me olha assim? E porque não me dá atenção? Eles não se aproximam muito. Te deixam livre para enlouquecer e lhe juro, morrem de medo quando você tem um ataque de raiva. Eles não sabem como agir com você. Eles acreditam que a porra do remédio faz efeito, mas não acontece nada demais.
Pode matar alguém, essa é a nossa natureza, meu caro amigo bipolar.
E ninguém acredita no que dizemos. Então foda-se.

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