Me
ocorre um pensamento de que não estive fazendo a coisa certa. Por algumas horas
longas, eu fiquei olhando o celular com a tela escurecida. Dentro da minha
cabeça eu via a luz se acender o seu nome surgir, como um anjo resplandecente
numa noite triste de domingo. Mas não era o pensamento certo. Para a garota
certa. Eu imagino o final do seu dia e em como você é ocupado. Com tantas
cobranças e puxões de orelha, você aprendeu a ser um bom rapaz, e tudo ficou
como estava. Seu coração mortificado e duro. Machuquei o lábio, abri uma fenda
na coxa e coloquei seu nome nela. Para iluminar meu dia. E quem sabe fosse esse
o pensamento certo. Depois de divagar no meu nirvana de garrafas de vodka e
maços de cigarro, eu vejo você, como um redentor, de braços abertos, esperando
por um sinal meu. Venha ver como eu
progredi. E parei de falar
atrocidades. E fazer burradas. E pensar que a minha morte estava perto.
Você veio e roubou aquela minha ideia de ficar a noite inteira conversando com
a parede. Disse que pensava em mim e me fez desistir de ir fundo com a faca.
Você foi o meu alicerce quando o teto da minha vida desabou sobre a minha
cabeça. Agora eu acho que estive me afastando da realidade constantemente. Sempre
que eu pensava em estar junto de você, nos nossos passeios de final de semana,
com beijos, sexo e um amor tão grandioso... a realidade é um quarto gelado. Um celular
com a tela escura. E uma noite silenciosa com uma pílula de antipsicótico. Sem
anjo. Sem ninguém importante. Porque não vale a pena gastar tempo tentando
vencer a distância. Ela sempre venceu aquilo que você chamava de amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário