terça-feira, 3 de julho de 2012

O que a distância não venceu


Me ocorre um pensamento de que não estive fazendo a coisa certa. Por algumas horas longas, eu fiquei olhando o celular com a tela escurecida. Dentro da minha cabeça eu via a luz se acender o seu nome surgir, como um anjo resplandecente numa noite triste de domingo. Mas não era o pensamento certo. Para a garota certa. Eu imagino o final do seu dia e em como você é ocupado. Com tantas cobranças e puxões de orelha, você aprendeu a ser um bom rapaz, e tudo ficou como estava. Seu coração mortificado e duro. Machuquei o lábio, abri uma fenda na coxa e coloquei seu nome nela. Para iluminar meu dia. E quem sabe fosse esse o pensamento certo. Depois de divagar no meu nirvana de garrafas de vodka e maços de cigarro, eu vejo você, como um redentor, de braços abertos, esperando por um sinal meu. Venha ver como eu progredi. E parei de falar atrocidades. E fazer burradas. E pensar que a minha morte estava perto. Você veio e roubou aquela minha ideia de ficar a noite inteira conversando com a parede. Disse que pensava em mim e me fez desistir de ir fundo com a faca. Você foi o meu alicerce quando o teto da minha vida desabou sobre a minha cabeça. Agora eu acho que estive me afastando da realidade constantemente. Sempre que eu pensava em estar junto de você, nos nossos passeios de final de semana, com beijos, sexo e um amor tão grandioso... a realidade é um quarto gelado. Um celular com a tela escura. E uma noite silenciosa com uma pílula de antipsicótico. Sem anjo. Sem ninguém importante. Porque não vale a pena gastar tempo tentando vencer a distância. Ela sempre venceu aquilo que você chamava de amor.




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