Tem olhos demais em mim. E ouvidos. Eu tenho sentido
as suas mãos no meu pescoço. Alguma coisa quer que eu morra. A noite, eu fico
olhando os objetos do quarto e esperando os demônios para o açoite. Se foram.
Depois que eu comecei a tomar aquele remédio maldito. Mas ficou a sensação de
que estou adiando algo.
Me cortei. A médica vai saber, a minha mãe não pode.
Você mentiu. Vamos juntos, segure em minha mão. Eu já me acostumei com o
inferno, mas não consigo me livrar disso. Eu sei. Eu sei. Mas não acredito.
E alguém, quem crê?
Vozes no vazio. Risos. Choro. Sou eu. Ou não? Quem eu
posso ser?
As pessoas tem medo. Porque as pessoas têm medo? Elas
não querem acreditar. Deus se entristece com tanta ignorância, porque Deus brinca
assim comigo? Ele é uma criança muito má. Ele brinca com a minha vida.
Eu sou um mero passatempo. Um guarda chuva. Eu sirvo
para colocar os pés. As pessoas acham que essas orações servem pra alguma coisa.
Eu não sei pedir. E não sei rezar. Deus tem sido uma criança cruel comigo. Deus.
Por quê?
As minhas babaquices de final de tarde. O meu choro.
Me ensinaram a não reclamar, mas eu sou teimosa. Eu não aceito regras. E dogmas.
E gente escrota. Conversaremos no seu consultório quando eu terminar de escrever
como me sinto. Você com a sua cara de idiota, anotando meus sintomas numa folha
branca. Parece que me pegaram. Eles me pegaram. Não posso mais beber.
Eu preciso largar o tratamento. É. Eu preciso, você mentiu,
lembra? Porque diabos isso acontece comigo? Remédios não fazem efeito. Não presta.
EU NÃO QUERO TRABALHAR! Estamos bem elaborados. Jesus sorriu.
Cruel.
As crianças cruéis querem dinheiro.
Vamos para a forca! Segure em minha mão.
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