Então, nós nos seguramos quando perdemos o chão. Aflitos
e assustados no canto de um quarto desconhecido. Sem entender porque deveríamos
ficar escondidos, nós nos enchemos de ilusões. Bebemos até a última gota. Embora
eu deva dizer que fui forte por não ter me rebaixado tanto, no fundo, bem no fundo,
eu sei que fui uma fraca. Sim, eu aceitei a proposta do diabo.
Depois, o mundo parou de rodar na minha cabeça. O meu
pai perguntou se eu tomei algo na rua, daí eu sorri para ele e lhe apertei a bochecha,
não. E acho que ele fingiu acreditar.
Eles fingiram que eu estava sóbria. Eu fingi que estava satisfeita. Mas não... Se
alguém pudesse olhar o grito dentro dos meus olhos. Eu estava em chamas. E chorando.
Mas eu tenho começado a acreditar que não há ninguém.
Não há sobras. Só a minha vida vazia, de noites vazias, garrafas vazias. Eu fujo
daquilo que me persegue e não tenho sucesso. Quando eu caio, na lama, ele está comigo.
E sempre estará por perto. Para se certificar de que fez um bom serviço, uma cabeça
de gado. Um corpo para a máquina de moer ossos. Sobrou a mim. E minhas vozes. Meu
corpo cambaleante. A minha alma que chora.
Alguém que eu não conheço, mas que deve ter sido eu,
em algum lugar do passado. Nos abraçamos e choramos uma noite monótona.
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